Incentivo à inovação
As mudanças no regime automotivo, anunciadas nesta semana pelo governo federal, são de importante relevância para o parque fabril brasileiro. As medidas incentivam a inovação, a eficiência energética e fortalecem a cadeia produtiva local. De acordo com as novas regras, a partir do próximo ano as montadoras que quiserem receber o desconto de até 30 pontos no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) terão que investir mais na compra de peças produzidas no Brasil e no Mercosul; reduzir em média 12% o consumo de combustível por quilômetro rodado; e, por fim, que aloquem no mínimo 0,65% da receita bruta em pesquisa, capacitação de funcionários e engenharia automotiva.
Essas medidas trarão mais resultados a longo prazo, mas são muito mais significativas do que as sucessivas reduções pontuais de IPI promovidas até agora pelo governo. A redução de imposto para veículos novos foi uma das soluções encontradas para blindar o País contra a crise econômica internacional desde o governo Lula. Deram resultados positivos, como a manutenção dos empregos na indústria, que também foram pontuais. Mudanças na política econômica, como a anunciada nesta semana, deveriam ter sido feitas anos antes e extensivas a todos os setores produtivos.
Informações das próprias montadoras indicam que o setor está preparado para se enquadrar no novo pacote do governo. Gradativamente a indústria tem diminuído as diferenças tecnológicas entre o mercado nacional e o internacional. Apesar disso, ainda está disponível à comercialização vários modelos defasados, que são fabricados apenas no Brasil. Por isso, não é interessante a adoção de medidas protecionistas, como a elevação de impostos para veículos importados, anunciadas meses antes pela presidente Dilma Rousseff (PT). Como já ocorreu no passado, o mercado fica estagnado, tira a competitividade da indústria nacional e os consumidores ficam sem acesso aos últimos lançamentos e tendências.
Espera-se que esta primeira medida marque o início de uma nova política econômica. Os incentivos à produção e, principalmente, a redução da carga tributária são importantes, mas é preciso incentivar a modernização para que a produção nacional se mantenha competitiva.





