O "pente fino" anunciado pelo Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) nas doações de terrenos efetuadas nos últimos 11 anos para averiguar se os empresários cumpriram as determinações previstas em contrato é fundamental para garantir transparência e credibilidade ao órgão. No início de dezembro, três pessoas – entre elas um funcionário de carreira – foram presas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) acusadas de envolvimento em um suposto esquema de cobrança de propina para facilitar a doação de terrenos do município para empresas.
Além de mais um caso envolvendo agentes públicos, a notícia chegou em um momento particularmente ruim, quando Londrina começava a se recuperar de sucessivos escândalos de corrupção na prefeitura. Ainda que o fato não envolva membros do primeiro escalão municipal, pode-se supor que a corrupção continua emaranhada em níveis hierarquicamente mais baixos.
Outro ponto crucial é que o município não dispõe de muitas áreas disponíveis para doação. No final do ano passado, reportagem da FOLHA apontou que 76 empresas aguardavam um terreno para ampliar suas atividades. A partir da liberação de áreas que não foram utilizadas, a produção industrial local será ampliada. Aumento da atividade industrial é traduzido em inúmeros benefícios ao município, a começar pelo incremento da arrecadação de impostos e maior geração de empregos. Incentivar a industrialização ajudará na retomada do desenvolvimento da cidade, que foi extremamente prejudicado na última década devido às más administrações e pela constante troca de prefeitos. A esses fatores podem ser creditados, inclusive, a perda das forças política e econômica da cidade.
Começar a mostrar transparência nos processos e a cobrar que as exigências contratuais sejam cumpridas, indicam uma mudança de postura da atual administração em relação a outras. É fundamental para que a população comece a perceber o poder público de outra forma, com mais austeridade e longe de velhas práticas politiqueiras.

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