Em boa hora o governo federal anunciou medidas para estimular a indústria nacional. Antecipando-se ao chamado Grito de Alerta em Defesa da Produção e do Emprego que o setor industrial programou para o início do próximo mês, a equipe econômica do governo Dilma Rousseff sabiamente decidiu prorrogar por por mais três meses o corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos eletrodomésticos da chamada linha branca (geladeira, fogão, máquina de lavar e de secar). Também foram abrangidos pela redução de imposto os fabricantes de móveis, pisos laminados e revestimentos, lustres e luminárias. A alíquota do IPI foi zerada para móveis e laminados.
Segundo o governo, a prorrogação do corte no IPI até junho significará uma renúncia de R$ 489 milhões para os cofres públicos. A medida, que vem sendo adotada desde o final do ano passado, certamente pode reverter por algum tempo o processo de desindustrialização no país. E mais uma vez quem deve responder pela elevação do consumo é a nova classe C, que hoje responde por 54% da população brasileira, e ávida para conquistar um pouco mais de conforto.
No entanto, as federações das indústrias de todo o país defendem algo mais do que um simples estímulo momentâneo. Para o setor, a perda da competitividade da indústria nacional está relacionada ao câmbio, ao alto preço da energia elétrica e às importações - em especial de produtos chineses que invadiram o país de Norte a Sul - que concorrem de forma desigual com os produtos brasileiros.
Como se vê, algo mais profundo precisa ser feito para que a indústria nacional não entre em colapso e tenha que fechar postos de trabalho, tão necessários ao país que alcançou o posto de sexta economia mundial. Portanto, não basta combater apenas o sintoma. É preciso ir além e atacar o problema globalmente. E isso só será feito com a tão aguardada reforma tributária que ajudará a desonerar o setor produtivo que arca com pesados impostos nem sempre aplicados corretamente.

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