Incentivo à indústria
Embora tímido, o pacote de ajuda para a indústria anunciado nesta semana pelo governo federal é uma boa notícia. Mostra um certo empenho da administração para desonerar parte da cadeia produtiva, que enfrenta ferrenha competição dos produtos importados. O plano soma medidas de R$ 60,4 bilhões, que inclui verba para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, corte de impostos para a indústria, aumento de tributo sobre importados e preferência para compra de produtos nacionais. No entanto, há sinalizações de que novas medidas serão anunciadas.
O governo tenta conter a queda na atividade industrial. No primeiro trimestre a balança comercial apresentou uma redução de 22,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Ao mesmo passo, as exportações aumentaram 5,5%, enquanto as importações cresceram 7,7%. A participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto foi reduzida a menos de 15%. Esses números mostram que o País iniciou um processo de desindustrialização, que pode levar a um quadro mais grave de crise econômica. Significa que o País, no longo prazo, vai abrir mão de maior oferta de empregos, renda, arrecadação e de agregar valor aos seus produtos.
Há tempos que o setor industrial reclama medidas de incentivo. Recentemente as federações se organizaram para cobrar mais apoio, o que parece ter surtido algum efeito. No entanto, não tocam no cerne da questão, que é a carga tributária e a política cambial. Pedir a redução de impostos, tributos e encargos se tornou extremamente repetitivo, o que ainda não sensibilizou o governo. Nunca é demais lembrar que a carga tributária brasileira é uma das mais altas do mundo e que essa arrecadação gigantesca não se traduz exatamente em benefícios à população. Além disso, a apreciação do real frente ao dólar também é extremamente desfavorável à produção nacional.
O cenário externo é de crise e aumento da demanda mundial por commodities. E o País tem que aproveitar o momento para continuar crescendo economicamente e exportar produtos com maior valor agregado. É o grande desafio para os próximos anos.





