Investir em Cultura não é um mecanismo recente como pode parecer a muitos. A Shell investe em Cultura no Brasil há mais de 40 anos e a IBM há mais de 17. Muito antes de alguém imaginar leis de incentivo. A verba anual da Shell para fins culturais oscila em US$ 2,5 milhões e US$ 3 milhões. Só a IBM investiu, este ano, US$ 5 milhões, como marca dos 80 anos da empresa no Brasil. Com o advento das leis de incentivo muitas outras empresas passaram a fazer uso deste dispositivo para aplicar em Projetos Culturais e descobriram que Cultura fortalece a imagem de suas empresas.
O Presidente Brasileiro de Executivos de Finanças, Ary Graça Filho, em artigo publicado na Gazeta Mercantil, afirma que investir em Cultura é um excelente negócio, não só como marketing institucional e mídia espontânea, mas como lucro real. O Diretor da IBM do Brasil, Bethlem, garante que a imagem da companhia é fortalecida com a associação e que a presença na mídia é reforçada.
O marketing Cultural dá às empresas uma imagem institucional, auxiliando-as no reforço de suas marcas. Com a associação a projetos capazes de auxiliar seu marketing institucional as empresas fazem sua comunicação de modo mais efetivo criando vínculo com seu público alvo. O empresário pode investir em projetos de caráter permanente ou por eventos. Exemplificando: as bibliotecas, orquestras e museus são mais adequados para marketing institucional, fixando grandes marcas. Já o evento é importante para marcas de produto de consumo de massa.
Nos Estados Unidos a Cultura é uma das principais fontes de divisas e de prestígio. O país investe mais de R$ 1 bilhão por ano no assunto. O espetáculo de teatro ‘‘O Fantasma de Ópera’’ está há 7 anos em cartaz. Já foi apresentado mais de 27 mil vezes em 60 cidades americanas e 15 países e arrecadou 2 bilhões de dólares. Superando até a bilheteria do filme Jurassic Park, de Spielberg. O Metropolitan Opera House, em Nova York, tem um orçamento anual de cerca de US$ 163 milhões, dos quais 40% vem de doações, realizadas por pessoas físicas e jurídicas.
O investimento cultural pode ser realizado tanto pela pessoa física como pela jurídica. As doações de pessoas físicas são o outro lado importante do patrocínio cultural. Ele é feito por intermédio de mecenas anônimos. Nos países desenvolvidos, as doações de pessoas físicas mantêm instituições culturais. E, aqui em Londrina, a experiência dos promotores culturais tem demonstrado que também está acontecendo este fato. Temos várias pessoas da comunidade que estão aplicando parte de seus impostos no auxílio da manutenção do Balé de Londrina, por exemplo. As empresas londrinenses também têm feito sua parte.
Mas, a partir do ano que vem, temos motivo para acreditar que teremos mais investimentos na Cultura. A boa notícia e que eleva nossas expectativas para 1998 veio do Poder Executivo e contou com todo o apoio da Câmara de Vereadores. O prefeito Antonio Belinati acaba de sancionar alterações na Lei do Incentivo à Cultura que aumenta a disponibilidade de investimento do contribuinte de 20% para 40% dos impostos municipais na aplicação de projetos culturais. A nova redação ainda isenta a pessoa física de pagar 8% a mais de seus tributos a título de marketing. E para a pessoa jurídica a cobrança do marketing foi reduzida para 5% e passou a ser opcional.
Esta conquista da Cultura londrinense, e há muito tempo reivindicada pela classe artística, vai viabilizar diversos projetos culturais, muitos dos quais, engavetados à espera de patrocínio. Todos ganham com a nova Lei: os artistas, os produtores culturais, os empresários, o público e Londrina, que estará mostrando ao Brasil a sua gente, através de sua produção cultural.

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