Uma prática criminosa e negligente, o costume de queimar lixo em terrenos baldios, está trazendo graves consequências ambientais e à saúde pública. Segundo levantamento do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná, mais de 30% dos incêndios ocorridos em vegetação têm origem em fogo ateado a lixo.

A pesquisa realizada pelo Corpo de Bombeiros com base em dados de 2024 aponta que ocorreram 11,9 mil incêndios em vegetação no Estado do Paraná e 4,5 mil foram em terrenos baldios, o que corresponde a 37,8%.

Entre janeiro e julho deste ano, a corporação registrou 4.830 incêndios em vegetação no Estado e 1.641 que começaram com fogo ateado a lixo em terrenos vazios. O índice corresponde a mais de 30% do total.

Percebe-se um padrão recorrente, intensificado no inverno, quando a estiagem contribui para a rápida propagação das chamas. Apenas nos dois últimos meses, junho e julho, foram 641 ocorrências desse tipo — número expressivo, mesmo com o início do inverno tendo registrado dias chuvosos.

“Atear fogo a resíduos em terrenos baldios pode terminar em grandes incêndios florestais ou em residências. A fumaça traz transtornos graves para o trânsito e problemas de saúde se inalada”, afirmou a porta-voz do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná, capitã Luisiana Cavalca.

Os incêndios em vegetação destroem o meio ambiente e colocam em risco o patrimônio público e particular. Além disso, a fumaça pode comprometer a visibilidade no trânsito e causar acidentes. Também gera problemas respiratórios, afetando principalmente crianças e idosos.

Importante lembrar que queimar resíduos é crime ambiental, previsto na Lei 9.605/98, com penas que podem chegar a seis anos de prisão e multa.

O enfrentamento para esse tipo de crime requer uma ação do poder público, principalmente dos municípios, fiscalizando com rigor os terrenos baldios e oferecendo soluções adequadas para o descarte de resíduos.

Também passa por uma mudança de cultura, conscientizando a população sobre os riscos de adotar práticas perigosas e ultrapassadas na destinação do lixo.

O combate ao fogo consome recursos públicos e humanos, coloca em risco a vida dos bombeiros e, em última instância, de toda a sociedade. A adequada destinação do lixo é parte essencial do cuidado com nossas cidades e florestas.

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