Caracas - Corpos chamuscados e um edifício em ruínas. Esta foi a cena deixada pelo incêndio que destruiu na madrugada de ontem a discoteca La Guajira, em Caracas, na Venezuela. No total 47 pessoas morreram, a maioria por asfixia.
''Foi terrível, o incêndio consumiu as paredes, a fumaça impedia a respiração e havia apenas uma saída'', afirmou Migdalia Pineda, uma secretária de 29 anos que sobreviveu à tragédia.
A discoteca está localizada em uma das zonas mais pobres de Caracas, com edifícios construídos na década de 50, adaptados para depósitos, hotéis e pousadas, e que escapam ao controle dos bombeiros.
Segundo Rodolfo BriceÀo, comandante dos bombeiros, na discoteca ''havia muita gente fumando e uma cozinha'' que pode ter sido o local de origem do incêndio. BriceÀo disse que o edifício ''não obedecia às normas vigentes''.
Por volta da meia-noite de ontem (2h de Brasília), as chamas atingiram os enfeites natalinos das paredes, contou uma testemunha. Os donos da discoteca La Guajira também vendiam bebidas e alugavam pequenos quartos para casais por algumas horas.
María Marcano, que presenciou a tragédia, disse à AFP que escutou uma explosão antes do início do incêndio: ''Ouvi a explosão e vi gente gritando e saindo do lugar queimada. Parecia um filme''. Ela lembrou que, no meio do terror e do caos, ''o segurança da discoteca tentava conter as pessoas, para que não saíssem sem pagar''.
Marcano explicou que, com a chegada dos bombeiros, o segurança ''teve que socorrer as pessoas. Havia pessoas de edifícios vizinhos que ameaçavam se lançar das janelas com medo de que as chamas chegassem aos seus apartamentos''.
BriceÀo disse que uma das primeiras ações dos bombeiros foi evacuar 500 pessoas dos edifícios próximos ao local, por causa da presença de ''fumaça tóxica'' na área. A ação dos bombeiros durou toda a noite. As autoridades fizeram um levantamento do número de corpos. Dos 47 mortos, 15 eram mulheres.
O chefe dos bombeiros prometeu aumentar o controle sobre as casas noturnas de Caracas.

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