O regime tributário Simples foi feito para facilitar a vida das empresas, mesmo aquelas devedoras? Não é o que parece. Até o final do ano a Receita Estadual do Paraná espera colocar no cofre do governo R$ 1,5 bilhão a mais em impostos. É um dinheiro que de alguma forma deixou de ser pago pelas empresas contribuintes e que a fiscalização está indo atrás para recuperar. Somando este valor às contribuições normais, o Estado deve arrecadar R$ 15 bilhões em 2010. Quem informa é o Sescap Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e Serviços Contábeis de Londrina, com base em informação da própria autoridade fiscal, no caso o delegado da Receita.
  Para quem acha que isto é castigo para as pequenas empresas, ontem à tarde chegou uma informação ainda mais desalentadora. Também a Receita Federal quer recuperar o seu, em volume bem maior. A ameaça de exclusão das 35 mil empresas com maiores débitos do Simples Nacional pode recuperar, até o fim do ano, R$ 2,5 bilhões em impostos não pagos, dos quais cerca de 78% correspondem a tributos federais, sendo o restante dividido entre Estados e municípios. Na próxima quarta-feira, dia 15, a Receita Federal publicará o terceiro lote de Atos Declaratórios Executivos (ADE) de exclusão, que trará a especificação dos débitos que ocasionaram a decisão.
  Segundo o coordenador-geral de Arrecadação e Cobrança da Receita, Marcelo Lins, das 3,9 milhões de empresas inscritas no regime especial de tributação, em torno de 560 mil possuem débitos com o fisco, totalizando R$ 4,3 bilhões em dívidas.
  No caso da Receita do Paraná, estão cadastradas 250 mil empresas que pagam o ICMS. Destas, 50 mil estão no regime tributário do Simples Nacional e 200 mil no regime tributário normal. E entre estas 200 mil, apenas mil empresas são responsáveis por 80% da arrecadação do imposto. Porém, por meio de cruzamentos de informações, a Receita descobriu que muitas empresas estão dando um ‘‘jeitinho’’, fazendo malabarismos fiscais, para permanecer enquadradas no Simples Nacional, já que este regime tributário oferece vantagens e menos impostos para as micros e pequenas empresas.

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