Inadimplência e prevenção
Quando falamos em inadimplência, precisamos lembrar que ela não deve ser tratada apenas como uma uma questão de comportamento individual
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Quando falamos em inadimplência, precisamos lembrar que ela não deve ser tratada apenas como uma uma questão de comportamento individual
Folha de Londrina 
O número de consumidores inadimplentes no Paraná registrou um crescimento de 4,84% em agosto de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior. Apesar do avanço, o indicador paranaense ficou abaixo da média da Região Sul (8,32%) e do país (5,02%). Já na passagem de julho para agosto, o resultado aponta para uma desaceleração, com recuo de 1,52% no total de devedores paranaenses.
Os dados foram divulgados pela Faciap (Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná) e mostram que o perfil do devedor paranaense é concentrado na população adulta. A faixa etária de 30 a 39 anos representa a maior fatia dos negativados no Estado, respondendo por 26,11% do total, seguida de perto pelos consumidores de 40 a 49 anos (22,17%). Quanto ao gênero, o levantamento aponta equilíbrio: 50,51% dos inadimplentes são do sexo feminino e 49,49%, do sexo masculino.
Quando falamos em inadimplência, precisamos lembrar que ela não deve ser tratada apenas como uma questão de comportamento individual. Por trás dos registros estão famílias que enfrentam dificuldades para equilibrar renda e despesas, muitas vezes acumulando compromissos por períodos prolongados. O tempo médio de atraso de 30,3 meses revela o quanto uma dívida pode se tornar um problema persistente quando não é enfrentada no início.
Há ainda um dado que merece atenção especial: mais de um terço dos consumidores possui dívidas de até R$ 1 mil. São valores que, embora relativamente baixos quando analisados isoladamente, podem ser suficientes para comprometer o orçamento de uma família. A predominância do setor financeiro, responsável por mais de 60% das dívidas, também evidencia o peso de financiamentos e empréstimos no orçamento dos consumidores.
Nesse cenário, a prevenção ganha importância. A iniciativa de informar o cliente sobre o atraso antes da negativação pode evitar que uma dificuldade pontual se transforme em um problema de longa duração. Para o consumidor, receber um alerta e ter a oportunidade de negociar o débito antes da restrição do crédito pode fazer diferença. Para o empresário, significa aumentar as possibilidades de recuperação do valor devido sem romper a relação comercial.
Também é importante que a educação financeira deixe de ser vista como responsabilidade exclusiva do consumidor. Empresas, instituições financeiras e poder público têm papéis complementares na construção de relações de crédito mais sustentáveis. Conceder crédito de forma responsável, oferecer canais acessíveis de negociação e estimular o planejamento financeiro são medidas que ajudam a reduzir o ciclo da inadimplência.
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