Inadimplência e falta de educação financeira
Os cartões de crédito trouxeram uma imensa facilidade aos consumidores. No entanto, se essa modalidade de pagamento garantiu praticidade aos usuários, também pode facilmente levar ao descontrole financeiro. Pesquisa divulgada pela Boa Vista Serviços, empresa administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), indica que 29% dos consumidores que estavam inadimplentes em setembro declararam ter restrição ao nome em razão de compra com cartão de crédito. Em seguida foram citadas as seguintes formas de pagamento: carnê (24%), cheque (17%), empréstimo pessoal (13%), cheque especial (8%) e cartão de loja (8%).
Os números reforçam a necessidade de se investir em campanhas de educação financeira, uma vez que o descontrole é admitido por 23% dos inadimplentes. Da mesma forma que o consumo é incentivado, seja por meio de reduções tributárias ou pela facilidade na obtenção do crédito, a população deveria ser orientada a planejar suas compras, evitar o consumismo e o excesso de parcelamentos. Isso porque, segundo dados da pesquisa, a maioria das dívidas (31%) não pagas está abaixo de R$ 500, um valor baixo. Um pequeno planejamento contribuiria para baixar esse índice. Em seguida o levantamento apurou que 18% dos inadimplentes têm dívidas acima de R$ 5 mil; 18% entre R$ 500,01 e R$ 1 mil; e 16% entre R$ 1.000,01 e R$ 2 mil.
Os brasileiros não estão acostumados a planejar seus gastos, a poupar e a planejar o futuro. Os anos de hiperinflação e do ''salário contado'' contribuíram para esse comportamento. No entanto, já passou do momento de se estimular a educação financeira porque, dessa forma, a organização pessoal vai favorecer que ''desejos de consumo'' não extrapolem limites. Além disso, é preciso implementar ferramentas de controle do orçamento, mas que tenham uso simples, que sejam descomplicadas. É preciso que as boas práticas induzam o consumidor a escolhas equilibradas, que sigam o mesmo conceito da sustentabilidade e de práticas politicamente corretas.





