Inadimplência e estímulos
Em um cenário de deterioração da economia é praticamente natural que os indicadores piorem. É o caso da inadimplência, que aumentou no primeiro semestre deste ano. De janeiro a junho deste ano o índice teve um aumento de 4,6% em relação ao mesmo período do ano passado. O levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito e da Confederação Nacioanal de Dirigentes Lojistas aponta que o resultado apurado é o pior semestral dos últimos três anos.
Com inflação em alta, crédito escasso e aumento do desemprego os consumidores estão enfrentando mais dificuldades para quitar suas contas em dia. Nos seis primeiros meses do ano a quantidade de dívidas acumula alta de 6,65%. Os débitos mais recentes com atraso de até 90 dias avançaram 19,3%, já as pendências entre 91 a 180 dias cresceram 24,74%. Dívidas com o setor de água e energia elétrica tiveram alta de 11,83%.
Aumentos constantes das tarifas controladas e das contas das famílias conjugada com o aumento do desemprego prejudicam o planejamento das despesas. Além disso, é natural que em um cenário como o atual, o pessimismo aumente. Tanto que em maio, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, as vendas do varejo caíram 4,5% em maio, o pior resultado desde 2003. Reflexo direto da queda da renda das famílias.
A Medida Provisória que amplia de 30% para 35% o limite de crédito consignado também pode não ser um bom negócio. É uma iniciativa arriscada, uma vez que há chances de o endividamento extrapolar e aumentar ainda mais a inadimplência. Ao que tudo indica o governo também não tem achado uma boa alternativa para tirar o País da crise econômica. Medidas de estímulo ao consumo deram certo no passado, mas já se mostraram sem efeito. Será preciso buscar soluções mais criativas do que as que vêm sendo apresentadas.





