Em um cenário de crise econômica indicadores macroeconômicos tendem a piorar. É o caso da inflação, que ultrapassa o teto da meta estipulada pelo Banco Central em 6,5%; do Produto Interno Bruto, cujas previsões apontam para uma queda de 1% neste ano; da produção industrial, que acumula sucessivas quedas; da taxa de investimentos das indústrias; da geração de empregos, entre tantos outros índices. Resultados como esses trazem impactos diretos na vida das famílias.
Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, mostra que em abril o percentual de famílias endividadas alcançou 61,6%. O dado representa uma alta de dois pontos percentuais se comparados com março, embora tenha sido menor do que o registrado no mesmo mês do ano passado. No entanto, é a terceira alta consecutiva do ano. A proporção de famílias com dívidas ou contas em atraso também aumentou na comparação mensal, passando de 17,9% em março para 19,7% do total em abril de 2015.
Além desse mau desempenho, outro dado importante chama atenção dos especialistas. Levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e do Portal Meu Bolso Feliz aponta que 15 milhões de consumidores ficaram com o nome sujo porque "emprestaram o nome" para que outras pessoas fizessem compras ou empréstimos. Uma atitude inofensiva e de boa-fé, mas que acaba trazendo "surpresas desagradáveis". A maioria desses inadimplentes permanece nesta situação por três anos em média, período em que enfrentam grandes restrições financeiras.
Além disso, vale ressaltar que os casos ocorrem entre parentes e amigos íntimos, pessoas de confiança que tiveram liberdade para pedir ajuda. Importante avaliar que se o outro já está sem crédito, provavelmente ele não terá condições de quitar a nova dívida. É preciso ter cautela porque, conforme mostra reportagem de hoje, esse comportamento acaba com relações familiares ou com amizades de longa data.

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