Inadequação de lugar para lixo
Há lugares mais adequados para armazenar lixo do que a periferia das cidades, mas o poder público opta pela solução mais fácil, sem importar-se com as consequências presentes e futuras. Caso do depósito de lixo industrial e tóxico que se planeja instalar em Londrina, na região do Limoeiro, que faz divisa com Ibiporã. A comunidade da área protesta, cheia de razão, e hoje a partir da 10 horas uma importante reunião vai se realizar no local, para a qual estão convidados os prefeitos dos dois municípios, vereadores, deputados e o secretário estadual do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida. Nessa zona que tende a expandir-se e abrigar indústrias e residências já existem chácaras de pesca e vivendas, com lancherias anexas, igreja, uma estância de águas radioativas bastante frequentada e um riacho que desemboca no rio Tibagi. Foi este o lugar um ponto promissor de turismo doméstico que os agentes públicos escolheram para guardar esses detritos, cujo manejo e aproveitamento ficará a cargo de uma empresa catarinense. Há opções por locais afastados, que, se encarecem o transporte, livram as zonas suburbanas do incômodo desse depósito de produtos com toxidade. O Instituto Ambiental do Paraná, que tem sede em Curitiba e, por estar longe, não avalia muito aspectos como o da localização, já está com o estudo prestes a ser liberado e aprovado. Mas, enquanto há tempo, esse local precisa ser poupado de mais um descalabro, pela simples razão de que o município de Londrina dispõe de áreas desertas, onde o inconveniente da presença de um armazenamento destes só se revelará em futuro mais distante. O secretário Cheida, que já foi prefeito de Londrina e é médico, portanto ciente dos riscos de saúde pública por mais que se anuncie segurança total tem influência, bom senso e faro político-ambiental suficientes para redirecionar esse projeto. Se a questão já se arrasta há dois anos, pode estender-se um pouco mais, até que surja uma solução mais estratégica. Por outro lado e agora falando-se do lixo orgânico, que não é o caso desse depósito que se planeja nunca se entendeu porque não pensar na industrialização, por via de usinagem, como já existe em cidades brasileiras e em países adiantados. O lixo tem solução mais civilizada, que é o seu manejo e a conversão em material beneficiado e reaproveitável. Trata-se de um processo mecânico que separa latas, vidros, papéis, plásticos, embalando-os para as indústrias que os adquirem, e transforma a matéria orgânica em adubo. Já é hora de pensar mais avançadamente nessa questão do lixo doméstico. O caminho indica para a tecnologia e não para os denominados ''aterros sanitários'', que de sanitário nada têm.





