In Mont, Plaenge e Igapó-2 - Walmor Maccarini
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de outubro de 1998
Walmor Maccarini 
Recebo, do empresário Ézaro Medina Fabiano, diretor da Construtora Plaenge, notificação solicitando que me retrate sobre termos de artigo que escrevi, dia 24 de setembro, e no qual menciono as empresas In Mont Shoppings e a Plaenge como já qualificadas para a edificação de um shopping e complexo de lazer sobre o aterro do Lago Igapó-2, em Londrina. Como a doação daquele aterro - a quem se qualifique para a concorrência - já está aprovada pela Câmara e pela Prefeitura mas o edital de licitação ainda não foi publicado, a Plaenge interpretou como se eu a estivesse acusando de favorecida. Pede-me a publicação de ampla informação, reconhecendo a lisura do comportamento da Plaenge e de seus diretores.
Antes de mais nada, nem seria preciso uma notificação para que eu afirmasse, publicamente, que a Plaenge é uma empresa séria e idônea. Trata-se de uma construtora que sempre honrou seus compromissos e só tem trazido benefícios a Londrina, pelo lastro de obras edificadas. Com relação ao seu diretor Ézaro Medina, que conheço de longa data, faço idênticas afirmações. Sobre a In Mont Shoppings, já escrevi que é a responsável pelo empreendimento Estação Plaza Show, em Curitiba, um shopping com equipamentos de lazer edificado em antigo pátio ferroviário da RFF. Essa empresa pública federal não faria um contrato com a In Mont se ela não fosse idônea. Este jornal mesmo escreveu, em 10 de dezembro do ano passado, que esse grupo carioca é responsável pelo planejamento e administração de mais de 30 estabelecimentos no Brasil, Portugal e Argentina.
Nunca afirmei o contrário acerca dessas empresas.
Minha causa é ecológica, e em artigo anterior - muito antes que a Prefeitura imaginasse autorizar edificações sobre o aterro - defendi que aqueles entulhos ali depositados fossem retirados, para a volta do lago à sua condição natural. Viu-se agora que a decisão do Poder Público municipal de permitir construções sobre o local encontrou reação da comunidade, incluindo-se aí a Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente.
A idéia - que partiu, na época, do presidente da Associação Comercial e Industrial - foi encampada pela prefeitura e então o prefeito convidou a Plaenge para ajudar na viabilização do empreendimento, por ser, na opinião do chefe do Executivo - e conforme este jornal publicou na ocasião - a empresa mais qualificada para este fim.
Não me custa afirmar que o prefeito Antonio Belinati teve a intenção de dar um bom destino àquele aterro, de proporcionar à cidade um benefício, mas não imaginou que haveria reação contrária da comunidade, nem que iria esbarrar em implicações de ordem legal, como as levantadas pela promotora de Justiça Dra. Maria Lúcia Reichenbach, por ser aquela área um fundo de vale.
Que venha a Londrina a In Mont, que se associe a esse grupo a Plaenge, que se edifique o shopping e seus componentes de lazer, mas em outro dos tantos locais de que a cidade dispõe e que precisam tornar-se belos justamente pela presença de um empreendimento destes. Mas não no lago, porque ele já é belo por natureza...
Fora de área pública não haverá necessidade de concorrência. Sabe-se que o terreno - quando não em área central - é componente de custo secundário numa obra destas.
Houve, sim, aceleração de parte do Poder Público na idéia do empreendimento. Sabia-se que a opinião pública não havia sido ouvida e que mexer no Lago Igapó é questão delicadíssima, porque mexe com nosso único lago-rio-mar, mexe com a natureza, mexe com os ambientalistas sempre atentos, mexe com sentimentos...
Estou dando todas essas explicações e defendendo a idoneidade daquelas empresas porque eu o faria em qualquer circunstância. E também porque é preciso salvaguardar empresas empreendedoras. Sem empresas sólidas e corajosas que segurem a barra deste Brasil iremos todos à bancarrota.
Mas é possível conciliar o empreendimento industrial e comercial com a preservação do ambiente.
Nada contra In Mont, Plaenge e seus diretores. Nós todos, que defendemos o lago, também somos defensores das empresas enquanto alavancadoras do desenvolvimento, da geração de empregos e de riquezas, e não queremos a quebra desses valores.
- WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina


