Os tempos têm sido bons para os bancos. Levantamento realizado pela ABM Consulting mostra que a crise enfrentada pela economia brasileira passa longe do sistema financeiro. No primeiro semestre deste ano, quando empresas e trabalhadores brasileiros sofreram os efeitos do aperto econômico, os bancos registraram lucro total de R$ 6 bilhões. Foi um período de prosperidade.
O mesmo estudo mostra que as vendas da indústria caíram 1,9% e o rendimento do trabalhador recuou bem mais, 4,3%. Mas o lucro das instituições financeiras foi 29% superior ao obtido nos seis primeiros meses de 2001. Nenhuma crise no horizonte.
O abismo entre o desempenho dos bancos e o da chamada economia real tem explicação. Quanto maior a fonte de receita das instituições financeiras, mais elevados têm sido os custos para as empresas. Ou vice-versa. Os bancos apertam o crédito, emprestam dinheiro a juros de dar medo, ampliam exigências, inventam tarifas.
Não é por acaso que, desde o início do Plano Real, em 1994, as coisas andam difíceis para a parte da economia brasileira que cuida dos ativos reais. Nesses oito anos, a receita total dos bancos cresceu mais de 250%. Já no lado real da economia, o cenário é outro. Dados de outra consultoria, a Economática, indicam que nos últimos 12 meses as companhias abertas no Brasil perderam R$ 7,5 bilhões.
Crises econômicas, pode-se concluir, não acontecem por acaso. Esse dinheiro todo carreado do setor produtivo para o financeiro se traduz em falta de investimentos, desemprego, salários achatados, comércio retraído. É a relação ganha-perde, com terreno fértil no Brasil do Real.
Ruth Meira

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