Impunidade generalizada? Onde?
A hora de pedir voto é quando avultam as maiores mentiras e o bom-mocismo aflora nos candidatos. Paradoxalmente, também é nessas ocasiões que aparecem algumas verdades. Quem as pronunciam nem sempre estão expressando, necessariamente, seu real sentimento. Mas políticos são assim mesmo: ora expõem suas garras, ora expelem seu caráter.
Às vésperas de deixar o Ministério da Justiça, o ministro Tarso Genro reconheceu que o Brasil ainda vive um clima de sensação de ''impunidade generalizada''. O que ele disse mesmo? O ministro sabe os motivos desse reconhecimento. Tarso precisa (também) dos votos dos gaúchos que se sentem inseguros, se quiser eleger-se governador do seu Estado.
É inusitado que o ministro da Justiça, saia do pedestal e, colocando-se como cidadão comum reconheça a falta de segurança - ou impunidade - contra a qual nunca moveu uma palha, como se diz no interior gaúcho. Tarso parece incorporar o sentimento de impotência dos produtores rurais ameaçados pelas invasões de sem-terras.
Não há novidade no discurso de Tarso. Essa crítica e autocrítica acontecia muito com homens da área econômica: deixavam o governo com a solução para todos os problemas. No poder, se omitiam ou procediam de forma contrária. O caso mais latente é o do sr. Pedro Malan, um teórico chato, fruto do academismo mais abstrado: virou consultor. Maílson da Nóbrega, seria outro, embora nunca tivesse deixado de ser técnico.
Agora, aqui entre nós leitor: Tarso reconhecer impunidade é brincadeira; soa falso, de tão verdadeiro. Para solucionar a questão da impunidade - diz a notícia -, Tarso defendeu uma reforma no Código de Processo Penal, de forma a acabar com os ''recursos dilatórios (que retardam as ações na Justiça) e tornar mais ágeis os processos''. Reiterando a declaração de que a impunidade no Brasil ''é generalizada'', o ministro disse que ela é também ''histórica'' e considerou ''positiva'' a preocupação da sociedade em combater ''a impunidade das elites''. Cabe uma ressalva: não se sabe que tipo de elite ele se refere, mas pode incluir a elite do Executivo e Legislativo, destacando a elite do Mensalão.





