Considerado ainda o país do futebol, o Brasil enfrenta uma crescente onda de violência entre membros de torcidas organizadas. As leis criadas nos últimos anos não foram suficientes para conter os maus torcedores. E o palco dos confrontos não se restringe apenas aos estádios e dias de jogos: as brigas acontecem em ruas, terminais de ônibus e bares, por exemplo. É a selvageria disseminada em diversos espaços públicos sem que medidas mais drásticas sejam tomadas pelas autoridades.
Reportagem de domingo publicada nesta FOLHA mostrou que, passados quase nove meses da barbárie protagonizada por torcedores de Atlético-PR e Vasco em Joinville (SC), a violência de torcidas segue como uma triste rotina em todo o País. Antes circunscrita aos grandes centros, ela se disseminou por cidades do interior. Tudo sob a complacência da sociedade em geral. Após cada episódio, as autoridades vêm a público defender punições mais rígidas contra os torcedores violentos e a extinção das organizadas. Como nada de concreto ocorre, os casos pipocam pelo país.
O sociólogo e pesquisador Maurício Murad lembra que não é preciso criar mais leis sobre o assunto - três projetos de lei tramitam no Congresso Nacional. Afinal, o Brasil já tem o Estatuto do Torcedor, a lei do crime organizado, o Código Penal, o Código de Defesa do Consumidor e a própria Constituição Federal que preveem punições que atingem os brigões do futebol. "Falta competência para estabelecer um plano estratégico nacional e falta vontade política para cumprir as leis", critica o sociólogo.
No Paraná, a Delegacia Móvel de Atendimento ao Futebol e Eventos planeja ter um banco de dados com os RGs de todos os torcedores com histórico de participação em tumulto. Apesar da urgência que o caso pede, não há previsão para implantação do sistema. É preciso que Confederação Brasileira de Futebol, federações, imprensa esportiva, clubes e os próprios jogadores estabeleçam um pacto para implantar um cultura da paz nos estádios de futebol. Além de endurecer as punições a clubes e torcedores, é necessário que os atletas se respeitem mais em campo e deixem de revidar provocações de torcidas para que o futebol volte a ter o caráter para o qual foi criado – um jogo de diversão – e deixe de ser encarado como uma batalha – um dos jargões mais utilizados pela imprensa para retratar uma partida.

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