Impunidade e mensalão anunciado
De tempos em tempos representantes da tão desgastada classe política presenteiam os brasileiros com imagens revoltantes. Não bastasse o caso do ''mensalão'', entre 2005 e 2006, que expôs a suposta ''mesada'' paga a deputados para votarem a favor de projetos de interesse do Poder Executivo - com as devidas gravações exibidas exaustivamente -, vemos agora quase um dejà vú envolvendo o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM).
Considerando o histórico de Arruda, o episódio não chega a ser inesperado. Quando parlamentar, violou o painel de votação do Senado, e foi acusado de distribuir alimentos em troca de votos na disputa pelo Executivo. No exercício do mandato é acusado agora de ser o suposto líder de um esquema de arrecadação e distribuição de propina a membros da base aliada de seu governo.
A reincidência desse tipo de escândalo também não pode ser considerada somente uma coincidência. A tomar como exemplo o atual estágio do caso ''mensalão'' deflagrado na primeira gestão do governo Lula, parece que o ''crime compensa''. Até hoje o processo envolvendo 40 denunciados continua tramitando no Judiciário. O ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu perdeu os direitos políticos até 2015. Três deputados tiveram os mandatos cassados, e os que não renunciaram acabaram absolvidos pelos colegas. Muitos foram reeleitos.
Esses casos evidenciam o quão ineficazes são as instituições que deveriam combater e principalmente punir os responsáveis por atos de corrupção. Executivos e legislativos corrompidos somados a um lento sistema processual, mais o voto muitas vezes ''impensado'', resultam no estado de coisas que vivenciamos.
E o pior é constatarmos que não há por parte dos legisladores disposição em dificultar a vida política de quem não tem ficha limpa. O projeto de iniciativa popular que reuniu 1,3 milhão de assinaturas pelo veto aos candidatos ficha suja foi protocolado na Câmara há quase 70 dias e ainda não foi levado ao plenário. A criação de varas especializadas no combate à corrupção também caminha a passos lentos.
Por essas e outras que recai mais uma vez nos ombros dos cidadãos comuns a responsabilidade de nos atentarmos e cobrarmos os políticos que, envolvidos em corrupção, não desviam ''o dinheiro de ninguém'', mas os recursos que pertencem à todos os brasileiros.





