Impunidade do MST gerando tragédias
A impunidade que impera nas questões da terra leva inevitavelmente a pontos de combustão, como acaba de ocorrer na Fazenda Nova Alegria, em Felisburgo, Estado de Minas. A morte de cinco integrantes do Movimento dos Sem-Terra, pela ação de um grupo de pistoleiros supostamente a mando do dono da propriedade, acirrou o já permanente clima de tensão nessa área e converte o episódio em novo ''massacre de Carajás'', com tendência, portanto, de render grandes especulações e alimentar o noticiário por longo tempo. O ministro Nilmário Miranda, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, já se pronunciou e disse que ''a impunidade é tão grande que eles (os pistoleiros) nem tomaram o cuidado de esconder sua identidade''. Por condenável que seja, por todas as formas, o uso da violência, sobretudo quando ocorrem mortes, o que acaba de acontecer na fazenda mineira não foi causa, mas consequência, porque a impunidade já vem de longa data por via da tolerância com os atos do MST. Há um momento de exaustão, em que a reação ocorre, porque as constantes invasões de terras, com a destruição de bens das propriedades, criaram um real campo de batalha, e nesse ambiente a deflagração de confrontos é algo previsível. Não é a primeira vez que acontece. No caso de Minas, as vítimas fatais e as vítimas que terão de responder pelo crime cometido são na verdade vítimas do sistema de impunidade. A onda invasora tem sido a grande beneficiária dessa lei libertina, que viceja sob as vistas grossas das autoridades e permite o alastramento da corrente impune travestida de movimento social, que vem semeando o terror no campo. A propriedade onde agora ocorreu a tragédia havia sido ocupada irregularmente, há dois anos, e o dever da autoridade era fazer valer as leis de afastamento dos invasores e a imediata reintegração de posse, mas triunfaram a tolerância e a impunidade, enquanto veio se intensificando a pressão desse caldeirão, até chegar ao ponto de rompimento das resistências. Com toda certeza essas mortes tenderão a intensificar as invasões, porque o MST conta com todo o apoio do Incra, como se depreende do que disse ontem publicamente o presidente desse órgão governamental, Rolf Hackbart: ''Temos de saber em que ponto vamos nos unificar, porque o outro lado é muito organizado''. Embora disto já se sabia, o Incra demonstra que tem um lado o dos sem-terra e por extensão o do MST e o 'o outro lado' é o dos produtores rurais. Se a recomendação do Incra é orgnizar-se contra 'o outro lado', o dos produtores rurais, então este é o dos bandidos, no entender claro do que disse o presidente do Incra, ao falar perante 9 mil pessoas na Conferência Nacional de Terra e Água, em Brasília. Pela afirmação de Hackbart, o agronegócio é o vilão, deduzindo-se que considera os militantes sem-terra santos homens estes leia-se mais especificamente seus líderes pela 'pureza' de seus ideais ao invadir propriedades em franca produção, expulsarem seus proprietários e as famílias vinculadas, destruírem bens e matando animais, e os proprietários rurais pelo 'delito' que cometem de produzir alimentos, gerar empregos em proporção maior que outros segmentos, e reforçar a pauta de exportações. Se os atos do MST houvessem sido contidos a seu tempo, ao invés de contemplados com a impunidade e estimulados a promover o delito das invasões e da destruição de propriedades, não teria acontecido tanta provocação à comunidade que cultiva a terra e nem tanta tensão e revolta no meio rural, e não se estaria assistindo a mais uma tragédia, como a que acaba de ocorrer e que tange as vítimas fatais e as que agora têm de amargar na prisão as sanções da lei.





