Impunidade descarada no Brasil - Fernando Marrey Ferreira
Fernando Marrey Ferreira
O País passa por um momento ímpar, na tentativa de buscar punir os agentes das diversas máfias incrustadas no seio dos poderes públicos. As instituições competentes, para efetivar a devida apuração dos delitos até a consecução da punição, muitas vezes não dispõem de competência legal para agir com desenvoltura.
As diversas polícias, com problemas internos e disputas entre si atravancam os trabalhos; o Ministério Público, composto na em sua maioria de pessoas íntegras e vocacionadas ao bom espírito público, ainda não dispõe de instrumentos legais para efetivar as devidas punições, apesar dos avanços que a Constituição de 1988 lhe concedeu, ainda fica aquém do esperado.
O mau exemplo, em se falando de impunidade, vem de cima. A anistia às multas eleitorais, quando deputados e senadores legislaram em causa própria é um descaramento institucional, é uma sem-vergonhice desmedida. O presidente da República poderá vetar tal anistia, mas estará descontentando parte de sua base de sustentação no Congresso.
Os infratores são os próprios representantes populares, muitos deles talvez nem eleitos fossem se não fraudassem a legislação eleitoral. A Justiça Eleitoral neste país está totalmente desarticulada e impotente para coibir os desmandos destes políticos bandidos. Apesar de ser oposição radical à gestão FHC e considerá-lo o pior presidente da história do País, tenho que me curvar ao bom senso de seu ministro da Justiça, José Carlos Dias, contrário a tal anistia.
O veto do presidente poderá obrigar aos deputados fraudulentos a pagar a gatunagem efetivada pela fraude eleitoral. Os argumentos não devem ser jurídicos. É uma questão de moral e exemplo para futuros pleitos. A cobrança destas multas somam valores da ordem de R$ 21,2 milhões que poderiam ser destinados a tirar crianças abandonadas da rua, por exemplo.
Um dos maiores prazeres que tenho na vida é ir ao cinema. Semana passada fui assistir ao filme norte-americano Eleições. Três jovens disputavam o cargo do grêmio estudantil do colégio. Tive uma aula de safadeza eleitoral. É a Democracia da América, a qual Alexis de Tocqueville tanto se empenhou em explicar, sendo desmascarada por eles mesmos. É a cultura da traição, da falta de caráter, dos desmandos institucionais, da permissividade com coisa séria.
Não sou um caga-regras, mas nossas eleições são absolutamente imperfeitas, nosso sistema legislativo é absolutamente corporativo, nosso presidente não sai de cima do muro e assim beneficia os fraudulentos que o cercam. São barganhas imorais no seio do poder central em Brasília.
Candidatos a prefeito e a vereador do ano 2000: quando estiverem disputando as eleições do ano 2000, utilizem-se do vale-tudo eleitoral, pois depois de eleitos, com mais poder tudo se acerta nos conchavos de bastidores. Este é o País de muitos caras-de-pau!





