Imprudência no trânsito
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quarta-feira, 16 de outubro de 2019
Folha de Londrina 
É sempre boa a notícia de que caiu o número de acidentes nas rodovias durante o período de um feriado, como o último 12 de outubro, Dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. O feriado deste ano teve um dia a menos em comparação ao de 2018, mas a redução do número de acidentes foi importante: 21,43% nas rodovias estaduais.
É importante comemorar as vitórias (mesmo as pequenas) que significam avanço em segurança de trânsito. Mas há muito a ser feito em um país onde o trânsito mata anualmente 40 mil pessoas. São números de guerra.
Em maio de 2019, o CFM (Conselho Federal de Medicina) divulgou um estudo mostrando que a cada hora, no Brasil, o trânsito mata cinco pessoas e manda 20 pacientes para o hospital. Em 10 anos, segundo o CFM, 1,6 milhão de pessoas ficaram feridas em dez anos ao custo de R$ 3 bilhões ao SUS (Sistema Único de Saúde) e 438 mil pessoas morreram no período. Ainda segundo a pesquisa, 80% das vítimas são homens, a maioria formada por jovens, e a imprudência é a principal causa.
Entre os acidentes graves do último feriado, um deles chocou os municípios de Doutor Ulysses e Cerro Azul, na Região Metropolitana de Curitiba. No domingo (13), uma caminhonete que transitava com o número de passageiros que excedia a capacidade caiu de uma ribanceira na PR-092, entre Doutor Ulysses e Cerro Azul. O motorista e três passageiros morreram no local. Duas pessoas que chegaram a ser atendidas não resistiram aos ferimentos e morreram horas após o acidente.
O grupo retornava de um evento religioso e pelo menos 18 pessoas, incluindo crianças, foram socorridas com a ajuda da PRE (Polícia Rodoviária Estadual) e encaminhadas a hospitais em Curitiba. Mesmo em boas condições, a caminhonete não poderia trafegar porque não estava com o licenciamento em dia e o motorista estava com a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) vencida há mais de cinco meses, segundo informações da Polícia Rodoviária.
O transporte de passageiros em compartimento de carga é infração gravíssima e é mais comum em deslocamentos curtos e em situações em que o motorista não espera encontrar fiscalização. Mas quem disse que em pequenas distâncias não há perigo? Quando se trata de segurança, seja no trânsito ou em outras situações do dia a dia, não se pode jogar com a sorte.
É preciso conscientização por parte da população, porém o poder público não pode deixar de fazer campanhas educativas frequentes e fiscalização rigorosa, oportunidade em que as irregularidades são descobertas.
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