Os ferimentos e mortes no trânsito, em todo o mundo, se são atribuídos em grande parte à imprudência dos motoristas, ocorrem também por outras razões, entre elas as condições do tempo e o desleixo dos poderes públicos. A Organização Mundial da Saúde considera alarmente a estatística de mortos e feridos nesse campo e teme por uma pandemia, com sérias implicações para a infra-estrutura de atendimento nessa área da saúde pública. No Brasil, a situação de estradas e vias urbanas, e a insuficiente e precária sinalização, são muito favorecedoras de acidentes. O país figura entre os de trânsito mais violento, ceifando 40 mil vidas anualmente e deixando 500 mil feridos todos os anos. Destes últimos, 100 mil são de lesões irreversíveis. É elevadíssimo o custo social direto e indireto desses acidentes, no país R$ 30 bilhões por ano e superior ao investimento necessário para diminuir tais índices. Porque, segundo o especialista David Duarte, da Universidade de Brasília, cada R$ 1 investido resulta em economia de R$ 5. A questão do trânsito está sendo presentemente discutida no Brasil, em seminário internacional sobre políticas para melhorar a segurança do trânsito na América Latina e Caribe, e com a presença de 40 especialistas de 14 países.
As autoridades brasileiras do setor, presentes a essa assembléia, certamente não irão mostrar as condiçãos das rodovias nacionais e o descaso do poder público com tal situação, mas se os condutores de veículos são imprudentes, a comunidade oficial também o é, na mesma intensidade. Há uma natural tendência de culpar os motoristas infratores, mas como é o poder público o encarregado de lidar com os acidentes, não consta de seus relatórios a parte de culpa que cabe às autoridades do setor e aos governos como um todo. Se as estradas, em sua maior parte, oferecem grandes perigos pela péssima condição da pista e pela má sinalização, e se nas cidades a situação é idêntica, então a irresponsabilidade oficial também deve figurar na pauta de discussões do fórum que ora se realiza.
No Paraná os números também são alarmantes, tendo ocorrido nos primeiros quatro meses deste ano 426 mortes no trânsito, com um número triplicado de feridos. O índice é quase o dobro do registrado no mesmo período do ano passado. Certamente que, também no caso do Paraná, não são apenas os motoristas os culpados mas, igualmente, as estradas esburacadas, o sistema de uma só pista com duas mãos, a ausência de acostamento em boas condições e a sinalização inadequada ou inexistente. Se o apelo é que os condutores de veículos assumam responsabilidade ao volante, a chamada é também para os governantes para que não sejam imprudentes na parte que lhes cabe.

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