Na semana em que o ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho começou a cumprir pena pelo acidente que causou a morte de dois jovens, o trânsito voltou a atrair grande atenção dos paranaenses.

A colisão entre o carro que o ex-deputado dirigia e o veículo onde estavam Gilmar Rafael Souza Yared e Carlos Murilo de Almeida aconteceu em 2009, em Curitiba. Carli Filho estava alcoolizado e dirigia em alta velocidade.

A FOLHA fez uma pesquisa, que está sendo publicado neste fim de semana (1/2), comparando o número de mortes causadas por acidentes no Paraná e o total de vítimas fatais em decorrência de homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal com resultado de morte.

A constatação é que o trânsito mata mais que a violência urbana no Paraná. Segundo o relatório da seguradora que administra o DPVAT (Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres), entre janeiro e dezembro passados, 2.712 pessoas morreram em decorrência de acidentes de trânsito – o número é 30% maior do que as vítimas de violência urbana. No mesmo período, a secretaria estadual da Segurança Pública e Administração Penitenciária registrou 2.088 vítimas de homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal com resultado de morte.

A gravidade aumenta ainda mais ao somar a essa estatística as indenizações pagas em decorrência de casos de invalidez, que somam 14.808 pessoas.

O “Maio Amarelo” terminou e com ele a campanha que tenta chamar atenção da sociedade para o alto número de mortos e feridos no trânsito não só do Brasil, mas do mundo todo.

No Brasil, porém, é um caso de saúde pública, uma epidemia que mata pessoas de todas as idades e classes sociais.

A fiscalização com rigor é necessária para ajudar a reduzir acidentes em ruas e estradas. Principalmente quando se percebe que, segundo o DETRAN, 90% dos acidentes são causados por humanos. Leia-se imprudência.

É óbvio que não se pode esquecer da qualidade das estradas na composição dessa equação, mas é a imprudência que chama a atenção, esse comportamento caracterizado pela falta de cuidados, tão comum entre os brasileiros.

Infelizmente, é mais uma constatação de quanto o Brasil deixa a desejar no quesito educação para o trânsito e boa convivência. Educação que se aplica também para o pedestre.

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