Não resulta em benefício algum para a governabilidade e nem para os paranaenses o comportamento intempestivo do governador Roberto Requião, que briga com deus-e-todo-o-mundo. No mais das vezes, especialmente quando trata com os que considera desafetos - e nem sempre é este o caso - fala e age inopinadamente, e o resultado disso é a intensificação e a disseminação de desavenças desnecessárias e nenhum proveito para o Estado. Se isto ainda não está gerando intranquilidade social, causa desconforto e tira do governante muito de sua credibilidade.
Não se sabe bem o que e quem Requião busca enfrentar, mas é certo que se moderasse sua atitude, muitos fantasmas que o atormentam desapareceriam. É visível seu apelo à promoção pessoal por conta de gracejos venenosos, e às vezes ofensivos, porque mesmo na relação com seus assessores mais graduados ele os trata com casca e tudo e às vezes publicamente, e isso tem ocorrido também diante de câmeras e microfones. Ele tem grande facilidade de desqualificar pessoas por meio de palavras. Certamente que a autoridade de chefe do Estado não lhe dá esse poder.
No momento Requião está brigando com a oposição na Assembléia Legislativa e com um desembargador do Tribunal Regional Federal, e envolto no rescaldo (pouco lisonjeiro para ele) resultante da agressão verbal que fez à Procuradora Geral do Estado, que por conta disso pediu demissão e levou com ela mais quatro assessoras. Há situações em que o governador age como ditador - porque não são apenas suas ironias mas também certas arbitrariedades - e sua ''escolinha'' é definida por alguns de seus obrigatórios frequentadores como câmara de tortura. Porque farpas envenenadas são lançadas pelo ''mestre'' contra todos. Reuniões de trabalho como essa permitem cobranças, e alguns servidores devem merecê-las, mas a metodologia do chefe parece não resultar em eficiência.
Requião revela um nítido anseio de manipular a opinião pública e cria fantasias como a de que a desembargadoria quer censurá-lo em sua TV Educativa. Não é censura que ocorre senão a imposição do disciplinamento que deve regular o bom uso desse veículo estatal de comunicação.
O chefe do Governo deve frear sua impetuosidade e fazer o que os paranaenses desejam que ele faça: governar. Porque o cargo é precioso e o tempo também. É hora de uma trégua nessa fúria, sem prejuízo de o governador ser enérgico em sua gestão. Requião parece estar sempre falando para platéias, situando-se como animador do espetáculo, mas não se ouve os aplausos. Há estratégias mais sábias de luta - se é que o governador quer consagrar-se como lutador - mas todos esses murros em moinhos de vento não renderam, até agora, nada de útil para o Estado.

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