A ânsia do governo de querer juntar mais R$ 10 bilhões anuais como a Contribuição Social para a Saúde (CSS) e a sua intransigência em não extrair dos recursos já disponíveis o necessário para o setor, pode levar o atendimento da saúde pública ao caos. Esta previsão não é aleatória, porque o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde já entregaram ao ministro José Gomes Temporão um documento sobre o caos iminente, prevendo que em outubro se acabem os repasses suficientes de verbas. Teme-se que o governo deixe as coisas rolarem nessa direção, eventualmente como forma de chantagem para que a CSS seja aprovada.
  O presidente Lula, em discurso num evento em São Paulo, disse anteontem que ‘‘é uma questão de tempo’’ encontrar as novas fontes de recursos para a saúde, mas o que não falta é dinheiro, se o governo souber aplicá-lo eqüitativamente. A velha e sábia fórmula é economizar nos gastos abusivos e assim dividir o que se tem, mas não passa pela cabeça presidencial essa alquimia. Lula fala de uma ‘‘revolução da saúde brasileira’’, assim como no passado falou do Fome Zero, do espetáculo de crescimento e agora fala do Programa de Aceleração Econômica, mas no primeiro caso diz que tal acontecerá se houver mais dinheiro. Esses meios já existiam quando vigorava a Contribuição Provisória sobre Movimentação Fiinanceira (CPMF) - que rendia cerca de R$ 40 bilhões por ano - e nem por isso o Governo Lula revolucionou a saúde. Não é verba que escassseia mas responsabilidade de um governante falastrão, que disponibiliza de meios mas não sabe administrá-los e nada faz (como nada fez) para diminuir o custo da onerosa máquina pública. Pela sua incompetência gerencial, ele busca culpados pelo que ocorre com a indigência da saúde, e estes no momento são os que no final do ano passado eliminaram a CPMF (no caso os senadores) e agora os que não querem aprovar a CSS.
  É cômodo para o presidente da República jogar no colo dos senadores a culpa pelo que acontecer de ruim nos atendimentos de saúde, e chega-se a imaginar que Lula até deseje um experimento do caos, buscando assim dar validade ao seu dedo em riste apontado para os outros. Nunca para ele mesmo, que tanto prometeu em suas campanhas atender aos mais necessitados, mas agora que está no poder e dispõe de verbas - porque nunca os cofres do Tesouro estiveram tão abarrotados - não tem sequer um plano de aliviar o custo do governo e de bem administrar o dinheiro.
  Não será preciso ter bola de cristal para vislumbrar que, mesmo com o adicional de dinheiro que entraria com a CSS, o Sistema Único de Saúde não melhorou em nada, pela razão de que grande parte da verba era destinada a outros fins. Com uma nova contribuição não seria diferente.

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