ESPAÇO ABERTO -

Imprensa e democracia


Algumas vezes as pessoas reclamam de não poderem acessar meus artigos ou outras matérias da Folha de Londrina porque "não são assinantes". Algumas vezes eu mesma abri meu texto para que não assinantes pudessem lê-lo. Não vejo problema nisso mas, como lido com um público que considero consciente, tenho estimulado as pessoas a assinarem, sim, os jornais. Eu mesma assino vários.

É fácil detectar a manipulação em campanhas sinistras contra o meio ambiente, a educação e os direitos básicos e humanos




As redes sociais estimulam uma cultura de " jornalismo grátis", mas o que disseminam mais que tudo são notícias falsas, as fake news somam hoje um contingente enorme de informação distorcida circulando nas redes que se transformaram num oásis de manipulação ideológica. É fácil detectar a manipulação em campanhas sinistras contra o meio ambiente, a educação e os direitos básicos e humanos. Textos que desqualificam lideranças ambientais nacionais ou internacionais como Greta Thunberg - que virou alvo da direita - ou lideranças educacionais como Paulo Freire que nem se encontra mais entre nós, a não ser por suas ideias que ajudaram a construir o País.

Acho que a ideia de um “jornalismo grátis" fere o princípio do profissionalismo.


No momento, temos um governo que massacra a Constituição com suas "medidas provisórias" num verdadeiro acinte à legislação e aos pilares da democracia. No meio disso, o jornalismo profissional tem cumprido um papel sério. A Folha de S. Paulo e a própria Rede Globo - tão criticada - têm cumprido seu papel de denunciar o descalabro e o autoritarismo neste momento que não é o de inventariar falhas da imprensa, mas acertos.

Trabalho na Folha de Londrina há anos - entre idas e vindas - e tenho orgulho do jornalismo profissional que praticamos. Por isso, quando me pedem para abrir meus textos ou o dos colegas aproveito também para estimular a assinatura dos jornais. A imprensa brasileira está num daqueles momentos cruciais em que precisa ter força para demonstrar a importância do seu papel, sobretudo na democracia.

Acho que a ideia de um “jornalismo grátis" fere o princípio do profissionalismo. Jornalismo é profissão e também precisamos receber por isso como qualquer trabalhador. O jornalismo local tem na FOLHA um de seus pilares de democracia. Opiniões diversas são encontradas no jornal diariamente. Quem diz o contrário, não o lê. Portanto, valorizem essa abertura que a imprensa é capaz de dar aos cidadãos. Uma assinatura digital de jornal custa o mesmo que uma cerveja ou até menos. Quem pode pagar e não assina não está contribuindo para a pluralidade de ideias, está apenas barateando ou mesmo desqualificando um bem precioso: a informação.

O que está acontecendo com a imprensa no Brasil, hoje , não é novidade. Jornais norte-americanos de prestígio foram salvos por campanhas maciças de assinaturas quando o governo Donald Trump começou a investir contra a imprensa do mesmo modo que Bolsonaro faz agora, pretendendo sua extinção para que prevaleça o paraíso das fake news que é seu território natural de poder e informação distorcida.

Trazendo para o exemplo local, de Londrina, quero dizer que não temos que ceder aos apelos de conservadores que pregam que a FOLHA tem que "endireitar" porque a cidade votou em massa num candidato de direita. Não, a FOLHA tem que continuar sendo plural, não tem que "endireitar" para vender mais ou sobreviver. A população é que tem que entender o que é pluralidade e salvar a DEMOCRACIA.

Prestigiem a imprensa profissional e a liberdade de expressão. Assinem e leiam jornais. Ou teremos um país desmontado por oportunistas e desinformados.


Célia Musilli é editora da FOLHA


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