Nesses dias continuamos pagando caro por decisões que ex-representantes do povo tomaram, como o loteamento das rodovias para pedágio. O povo não consegue entender como uma situação dessas não pode ser revertida por ninguém ou nenhum dos poderes públicos, ainda que hajam placas informado que a situação está nas mãos amarradas da Justiça. É claro que, se alguma empresa construísse uma rodovia reta daqui para Curitiba ou São Paulo, ou qualquer outro lugar, com recursos próprios, receberia os aplausos do povo e os lucros merecidos.
No entanto, o sinal verde para essas invasões de direitos foi dado quando, nas cidades maiores, os cidadãos abriram mãos dos seus direitos para permitir que seus representantes aprovassem os pedágios nas frentes de suas casas para instalação das chamadas zonas de estacionamento, às quais deram matizes coloridas de beneficência e que se alastram pelas cidades como fonte de recursos sem contrapartida e servem de escola para todos tipos de ''serviço privado de segurança, proteção'', ou qualquer nome que queiram dar.
Isso é apenas um exemplo nessa tão disputada área de transporte e locomoção de pessoas. No Paraná, em que a legislação (aprovada por nossos representantes) não permite uma linha de ônibus partindo de Londrina direto para as nossas praias. Mesmo a passos lentos, as coisas vão mudando à medida em as pessoas vão aprendendo a votar nos representantes ligados aos seus interesses como povo, e não como pessoas. E como ''aprendizes'' das iniciativas públicas e privadas (em bom momento o seriado em curso na televisão aberta) vemos duas vertentes óbvias: na iniciativa privada o incompetente não entra ou não se mantém no emprego; já, no emprego público, cujo patrão é o povo, que é o dono e o verdadeiro poder, os empregados do povo no Executivo, Legislativo e Judiciário têm vitaliciedade ou imunidades em relação aos seus cargos e atitudes, mesmo quando prejudicam o próprio povo, como no caso do malfadado pedágio que enfia a mão no bolso de todos aqueles que ainda o têm, pois tudo é incluso no preço final de qualquer produto.
Para que os órgãos do poder público possam funcionar é necessário que aconteça uma dessas coisas: que os titulares percam seus cargos e voltem a se sentir pessoas comuns (povo), sem os privilégios e isenções ou pensar um pouco no que o povo diz e quer. O governo (poder público) de hoje pode e deve ser melhor do que o do passado e tem poderes para isso. Caso o Executivo, encontre-se impotente em relação ao pedágio, diante da inércia do Judiciário, que responsabiliza o Legislativo pelo imbróglio, que cada um pense, inove e faça melhor sua parte.
Ao Executivo povo diz: faça outras estradas. Ao Judiciário o povo diz: garanta o direito de ir e vir. Ao Legislativo, o povo diz: ouça a voz do povo e aprove leis que não permitam ao Executivo e Judiciário esconderem-se atrás delas ou usá-las como justificativas para a sua nefasta acomodação.
SEBASTIÃO FERREIRA MACEDO é consultor na área de Segurança do Trabalho em Londrina

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