Impostos tiram o pão, o remédio...
Não há muita novidade na constatação de que os impostos roubam o sono, o conforto, a segurança, a saúde e até a comida do brasileiro. Mas sempre é bom lembrar que o povo seria mais feliz pagando um imposto justo. Menos, até: seria muito mais feliz se pudesse contar com a eficácia dos serviços públicos na mesma proporção dos impostos recolhidos. Porém, o retorno de tanta sangria vem em forma de desastres. Questões de (in)segurança, por exemplo, são um desastre. E a saúde pública é um sofrimento. Não precisa ir longe, basta ouvir as reclamações que o povo faz através das rádios.
Economista entrevistado pela repórter Andréa Bertoldi (reportagem é manchete de hoje desta FOLHA) defende que o sistema tributário fosse progressivo com uma política para reduzir os juros da dívida. Segundo ele, há uma defasagem das tabelas do imposto de renda de 54,86% desde 1996 até dezembro de 2009. Neste período, a inflação aumentou 146,69% e a tabela do IR foi corrigida em 59,79%. Com isso, muitos contribuintes que não pagavam imposto começaram a ter essa obrigação.
Esse é apenas um exemplo. O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva, concorda que a renda no Brasil é baixa. E aponta outro grande entrave: o sistema tributário regressivo que impacta no consumo e afeta mais quem tem renda menor. Quem ganha menos paga mais tributos porque estão embutidos nos preços dos produtos.
Ele destaca que o Imposto de Renda também impacta mais na classe média que tem o tributo descontado na fonte, diferente da classe alta que não tem este desconto em folha porque grande parte é empregador e não empregado. Além disso, essa camada da população com renda maior tem maneiras de reduzir o que vai pagar de imposto. Teria que ser tributada a renda, mas minimizados os impostos sobre o consumo e os investimentos. Segundo ele, hoje há uma alta sonegação e, os contribuintes que pagam são muito tributados.





