Impostos indiretos nivelam desiguais, afirma economista
O economista João Rezende considera que outro problema da política tributária brasileira diz respeito à natureza dos impostos. Segundo ele, 50% da arrecadação recai sobre bens e serviços. Essa característica encarece o preço das mercadorias, reduz o consumo e prejudica a produção, inibindo o crescimento econômico do País. ''Até os alimentos são tributados. A cesta básica tem 33% de tributação'', critica.
A solução, acredita, depende da desoneração do consumo. ''A compensação viria através de impostos maiores sobre a propriedade e os lucros do sistema financeiro'', sugere.
A carga tributária efetiva sobre o rendimento assalariado revela outra distorção. De acordo com a Receita Federal, quem recebe até dois salários mínimos tem 13,13% do orçamento comprometido pelo pagamento de impostos sobre o consumo. Quem recebe mais de 30 salários dispende apenas 6,94% da renda.
Rezende explica o desequilíbrio com um exemplo. ''Pessoas de diferentes classes sociais consomem a mesma cesta básica, mas o custo dos alimentos representa menos no orçamento dos mais ricos'', diz ele, que defende urgência na aprovação da reforma tributária.
As mudanças, porém, dependem do entendimento entre União, estados, municípios e empresários, além de renegociação com o sistema financeiro. ''O alongamento da dívida pública interna daria uma folga para viabilizar a reforma, que é um dos eixos fundamentais para o desenvolvimento do País.''





