Impostos e serviços públicos
Apesar da retração da economia, a arrecadação de impostos continua batendo recordes. O impostômetro da Associação Comercial de São Paulo registrou a marca de R$ 800 bilhões no final da semana passada; em 2014 o mesmo montante foi alcançado em 31 de maio, segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). Conforme estimativa desse órgão, neste ano o pagamento de tributos vai subtrair, em média, 41,37% do rendimento bruto dos brasileiros.
Ninguém discorda que é preciso rever esse índice. A carga tributária é alta por si só, mas o cenário se complica quando a análise vai além. A população tem pouco retorno em serviços públicos, como saúde, educação e segurança e faltam investimentos em obras de infraestrutura. Não há prestação de serviços compatíveis para esse volume de arrecadação. Pelo contrário. As deficiências são grandes e ainda há várias investigações que apuram desvio de dinheiro público.
O Brasil precisa de um choque de gestão, assim como já faz boa parte do setor produtivo. A eficiência e o zelo com os recursos públicos devem nortear a conduta de todos os servidores públicos. Além disso, é preciso lembrar que o aumento de impostos impacta diretamente toda a população, que fica com menos dinheiro no bolso. São recursos retirados do consumo, que acabam por movimentar toda uma cadeia de empresas e a geração de empregos, e da poupança, que financia o sistema nacional de habitação.
Anunciado o plano de ajuste fiscal pelo governo federal, que pretende economizar cerca de R$ 70 bilhões sob a pena de aumentar ainda mais a carga tributária para pessoas físicas e jurídicas, deve-se esclarecer que o pior está por vir até porque a inflação, o desemprego e a taxa de juros seguem em escalada de alta. Era o momento de anunciar medidas de estímulo à economia e de contenção dos gastos públicos. Mais uma vez, as iniciativas adotadas são contrárias aos interesses da população.





