Impostos demais, serviços de menos
Estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) coloca no papel uma realidade que todos os brasileiros vivenciam, em maior ou em menor grau, todos os dias. Comparando dados dos 30 países com maiores cargas tributárias do mundo, o Brasil é o que promove o pior retorno em bem-estar social para os cidadãos. Seria injusto comparar nossa situação com países desenvolvidos, diriam alguns. Mas ficamos atrás de vizinhos como Argentina e Uruguai. Uma vergonha!
Nossa carga tributária é compatível com o de nações do ''primeiro mundo'' (34,41% do PIB, em 2009), mas nosso Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) está longe da média desses países. E nada indica que esta realidade esteja perto de ser mudada, infelizmente. Há anos a reforma tributária fica apenas na promessa, pois os governos não querem perder receita.
Em média, os mais de 60 impostos e tributos cobrados pelos governos federal, estaduais e municipais respondem, em média, por 40% dos gastos mensais do trabalhador brasileiro. Nas classes média e baixa, o impacto é ainda maior. De acordo com o IBPT, uma família com renda de R$ 4 mil por mês entrega ao Estado R$ 1,8 mil.
O impacto dos impostos no preço final dos produtos é impressionante e a maioria das pessoas nem se dá conta disso: 53% do preço da gasolina, 55% da cerveja, 44% da água mineral, 17% da carne, do feijão e do arroz são abocanhados pelo Estado, isso para ficar apenas em alguns poucos exemplos.
E o contribuinte não vê retorno desse dinheiro que sai compulsoriamente do bolso. Muito pelo contrário, os serviços públicos, de modo geral, são mal administrados, com problemas de execução na saúde, na educação, na segurança, etc. Óbvio que há exceções, mas infelizmente são poucas.
Para garantir um pouco mais de conforto para a família, quem pode contrata planos de saúde, segurança particular, escolas privadas. Pagam duplamente por um serviço que o Estado deveria oferecer ''gratuitamente'' e com qualidade. Está na hora de reverter essa situação.





