A carga tributária deve bater novo recorde este ano, conforme projetam técnicos independentes e do próprio governo. A notícia foi manchete em alguns dos grandes jornais, ontem. A portentosa arrecadação vai suplantar o recorde de 2008. O governo já começa a distribuir benesses por conta desse volume estupendo de dinheiro. O imposto é um dinheiro que sai da sua origem onde é distribuído - de forma pulverizada para todas as classes sociais - e vai para um bolso único, o bolso do governo. Vai e não volta em forma de benefícios. Ou alguém está feliz com a saúde pública, educação e segurança?
Portanto, apesar dos bons resultados que a redução do IPI (apenas a redução, não foi isenção) trouxe para a economia, o governo suspendeu a medida. Preferiu continuar sugando as empresas e os trabalhadores, pessoa física ou jurídica. Os efeitos positivos da redução foram bem visíveis: a) Aumento espetacular nas vendas de veículos e eletrodomésticos, b) Aumento na oferta de empregos, c) Maior quantidade de dinheiro em circulação no comércio.
A redução do imposto, que criou esse cenário de abundância, durou pouco. A retirada da redução quebrou o saudável ciclo da prosperidade: aumento das vendas implica em aumento de produção, que requer mais gente produzindo; mais emprego, que aumenta a renda familiar e, como efeito dominó, provoca aumento nas compras na padaria da esquina que contrata mais padeiro e mais balconista. Tal qual as montadoras que dão mais empregos para fazer mais carros, as revendas contratam mais vendedores, recepcionistas e mais uma ou duas tias para fazer cafezinho porque os clientes estão chegando para trocar de carro - aproveitando a promoção por conta da redução do IPI. Esse quadro durou pouco.
O governo desconhece essa linguagem da distribuição. Prefere encher as burras estatais, onde, aliás, o dinheiro fica por pouco tempo porque vai logo sustentar a opulência de políticos, assessores e alto escalão que vão votar com ele. O setor público está apinhado de protegidos e companheiros. O governo retira das empresas os recursos destinados a investimentos produtivos, além de reduzir o consumo.

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