Imposto em excesso afasta investidores
Os defensores governamentais irão tentar provar o improvável, mas até a Organização das Nações Unidas agora se manifesta para dizer que o Brasil cobra muito imposto e que isto afasta investidores. O alerta faz parte de um documento da ONU, que pela primeira vez faz um raio-X sobre esta conhecida anomalia brasileira. Os 191 países que formam a Organização irão receber esse relatório em abril, e isto será um fator negativo para a atração de investimentos estrangeiros. As autoridades econômicas do Governo Lula estão cientes disso mas buscam uma forma de modificar o texto da ONU, porque afirmam que há coisas que não estão corretas.
É preciso que um organismo internacional do peso das Nações Unidas levante a questão para despertar a comunidade econômica governamental, mas o que se percebe é que o Governo não deseja constatar a realidade e tomar providências, mas busca uma tentativa de mostrar o contrário. Na verdade, o que quer é que esse documento nem seja divulgado, para assim tentar acobertar a sangria tributária que pratica. Fontes de Genebra - braço da ONU - já confirmaram que essa divulgação ocorrerá. E assim, aquilo que a classe empresarial brasileira está farta de saber, agora os capitalistas do mundo também saberão.
Em apenas 16 economias (das 191) as empresas estão sujeitas a taxas mais elevadas que as do Brasil. Esta não é a primeira vez que o elevado peso dos impostos neste país é mencionado por organismos externos. Por conta disso o Brasil só conseguiu um aumento de investimentos em 5% em 2006 (ou 16 bilhões de dólares) num cotejo - veja-se a diferença - de 60 bilhões de dólares da China. Contra números e relatos bem fundamentados não há contra-argumentos. Ao tentar esconder isto as autoridades brasileiras conspiram contra o próprio país. A concorrência internacional fez com que os governos com juízo reduzissem seus impostos, nos últimos 14 anos, de 38% para 27,1%, porque tributação alta prejudica o crescimento econômico.
Menos imposto gera competitividade e garante desenvolvimento, e se o Governo Lula anuncia que quer ''destravar a economia'', tem nesse estudo das Nações Unidas um grande indicador para como proceder. O destravamento deve começar por alguma medida, e diminuir a sangria tributária é fundamental para isso. Esse parecer da ONU é gratuito e não visa ingerir nos negócios do Brasil e nem dar conselho ao Governo, mas incumbe à clarividência do presidente Lula e seus agentes econômicos absorverem essa advertência.





