Imposto e juro, alto custo na produção
Quando o deputado federal Paulo Bernardo diz que é preciso diminuir os custos de produção e que cada qual precisa fazer a sua parte em favor do Brasil, está cheio de razão mas certamente sabe que a pesada carga tributária e os juros figuram como elevado peso naqueles custos. Deve o governo, portanto, começar por ele próprio essa cruzada. O parlamentar paranaense, que é integrante do partido no poder e presidente da Comissão Mista do Orçamento, está no momento capitaneando um encontro da Federação dos Bancos com economistas governamentais, visando a redução do custo do empréstimo bancário. Essa mobilização visa conter a inflação, embora o próprio governo não deixe de aumentar as tarifas do serviço público, o preço dos combustíveis, os impostos, tudo isto robustecendo a fermentação dos custos. Declara o deputado que os empresários têm o direito de reclamar da carga tributária, mas que o governo também tem o de propor que todos façam a sua parte em favor do País. Se há maus empresários que remarcam preços aleatoriamente e cobram juro extorsivo na venda a prazo, e outros o fazem por desinformação sobre a incidência real de certos custos sobre a mercadoria, a verdade é que a cadeia produtiva de há muito faz a sua parte, e até a extrapola, porque além de arcar com a responsabilidade de implantar e tocar um negócio em país de governos de atitudes instáveis gera desenvolvimento, mantém empregos e sustenta o erário com os impostos. É preciso, portanto, não pedir que as classes produtoras façam ainda mais e sim favorecê-las com desonerações. O postulado de que ''o empresário tem de ter visão nacional'', como defende o parlamentar, vale não apenas para o segmento industrial mas para o comerciante, o prestador de serviço, o cidadão em geral, porém muito especialmente para o governo e todas as instituições oficiais vinculadas ao Executivo, ao Legislativo e ao Judiciário, desde Brasília até a mais recôndita das comunidades. Se o governo não pára de criar impostos e de aumentar os existentes, se não diminui os elevados encargos sobre a folha salarial da empresa, se não se movimenta para flexibilizar leis inibidoras do emprego, como a trabalhista, se enfim persiste em concentrar renda (61% de todos os impostos ficam em poder da União), então reunião como a anunciada não irá resolver grande coisa. A pauta deveria ser mais robusta. A esperada redução do custo do empréstimo bancário acabará sendo de fração de real ou de 1 ponto porcentual no máximo, como algumas vezes aconteceu. O âmago do problema não é tocado, que é o absurdo nivelamento do juro por cima, um patamar que nunca se alterou. Se o juro é algo intocável pelos bancos, parecendo que tudo pode baixar menos esse algo sagrado do sistema financeiro; se os impostos vêm sempre subindo e os exagerados gastos públicos não diminuem; se a concentração de renda em mãos do governo e desses segmentos especulativos se mantêm, parece que resultará inócuo esse encontro para discutir a redução do spread bancário e diminuir em alguns centavos o custo do empréstimo. Os dias futuros irão mostrar que nada de muito importante irá acontecer. Porque o Governo Lula chegou anunciando grandes viradas, que o povo, embora desencantado, ainda espera.





