Teve início nesta segunda-feira (23) o prazo para a entrega da declaração do IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física) 2026. Como ocorre todos os anos, o calendário reacende um comportamento recorrente do contribuinte brasileiro: deixar para a última hora uma obrigação que exige organização, atenção a detalhes e, muitas vezes, busca por documentos e informações dispersas.

Os números ajudam a dimensionar a importância do tema. A Receita Federal do Brasil estima receber 44 milhões de declarações em todo o país. No Paraná, serão 2,93 milhões de contribuintes, o que coloca o Estado entre os cinco com maior volume. Em Londrina, a expectativa é de 171.598 declarações dentro do prazo — um leve crescimento em relação ao ano passado, quando foram 169.838 envios regulares e mais de 182 mil considerando os atrasos.

Esse contingente expressivo reforça a necessidade de planejamento. Antecipar o envio é uma estratégia que reduz riscos de erros, evita a sobrecarga dos sistemas nos últimos dias e, principalmente, aumenta as chances de receber a restituição mais cedo. A lógica é simples: quem declara antes, desde que não caia na malha fina, entra primeiro na fila de pagamento.

Deixar para o fim do prazo, neste ano, 29 de maio, costuma trazer consequências conhecidas: dificuldades técnicas, falta de documentos, inconsistências e, não raramente, o pagamento de multa mínima de R$ 165,74, que pode chegar a 20% do imposto devido. É um custo evitável.

A temporada de 2026 também traz novidades relevantes. Entre elas, a obrigatoriedade de declarar ganhos com apostas on-line, tema que ganhou escala no país e passou a exigir maior controle fiscal.

No calendário de restituições, o cronograma também foi encurtado. Os pagamentos ocorrerão entre maio e agosto, com expectativa de que 80% dos declarantes recebam até o fim de junho. Mais um incentivo para não adiar o envio.

É importante destacar, no entanto, um ponto que pode gerar confusão: as mudanças anunciadas pelo governo federal na faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil mensais não terão impacto nesta declaração. Caso implementadas, essas alterações só serão refletidas no IRPF do próximo ano, referente aos rendimentos de 2026.

Diante desse cenário, o contribuinte tem diante de si um prazo relativamente curto e um conjunto de regras que, embora mais digitais e automatizadas, continuam exigindo atenção. Organizar documentos, conferir informes de rendimento, revisar dados e enviar com antecedência são atitudes simples que evitam problemas.

Antecipar a declaração é uma forma de lidar com previsibilidade. Em um sistema que premia quem se organiza e penaliza quem deixa para depois, o melhor caminho continua sendo o mais básico: não esperar o prazo apertar.

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