A participação dos vereadores, com vista a um acordo para o fim da greve dos servidores, em Londrina, está sendo decisiva para o final da paralisação, esperado para amanhã. Porque foi a partir de um elenco de propostas elaborado pela Câmara de Vereadores que as negociações tomaram um rumo, sem prejuízo de que novos acertos ocorram na continuidade. A intervenção do Legislativo, como forma de cooperar para o fim de um impasse que entra hoje no 21º dia, foi providencial e facilitada pela isenção de naturais intransigências que costumam ocorrer entre as partes no caso Prefeitura e Sindicato dos Servidores. O fato demonstra que os vereadores, se o desejarem, têm papel importante na decisão de causas comunitárias, que não sejam apenas as discussões sobre leis e normas, a assistência às carências sociais e outras incumbências afins, mas também delicadas questões como esta da greve. Ao intervir com suas propostas, como faz agora, a Câmara exerce também uma de suas atribuições que é salvaguardar o bom andamento do serviço público, ao tempo em que atende os servidores reivindicantes e a população, que já vem sentindo os efeitos negativos da greve sobre os atendimentos de saúde, educação e assistência social. Ao entrar em ação, no episódio, a Câmara estabeleceu uma ponte entre as partes em litígio, e espera-se que amanhã, na assembléia marcada para as 10 horas, tudo chegue a bom termo e sejam retomadas as atividades na Prefeitura. Se é importante que o acordo sirva às duas partes porque de um lado estão 7 mil servidores, portanto povo, e de outro o poder público, igualmente uma representação dos cidadãos importa ressaltar a boa providência da intervenção do corpo legislativo em momentos de solucionar impasses, seja através da reformulação de leis e regulamentos, seja pela ação política conciliadora, seja por atitudes às vezes mais enérgicas. Se, em episódios anteriores, os vereadores se desgastaram ao cuidar primeiro dos interesses próprios como o projeto (depois retirado) de aumentar verbas de gabinete eles ganham respeito da população ao intervir na solução de problemas de relevante alcance público. A Câmara de Vereadores será ela própria a ditadora de suas ações, seja no que lhe compete legalmente, seja em mobilização de caráter diplomático, como o de mediar um impasse como este da greve. Sem caracterizar-se como ingerência, os 18 vereadores de Londrina têm uma simbólica função de serem também 18 prefeitos, e eles podem ser vanguardistas em certas propostas, incluindo sugestões para implantação de obras e a tomada de posições nesse sentido.

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