Importância do giro do dinheiro
Dezembro é o mês em que o comércio contrata serviço temporário e um período de expectativa otimista, pela intensificação dos negócios de compra e venda, portanto de disseminação da moeda e de prosperidade. Mas as autoridades monetárias do País tudo fazem para dificultar o consumo, pelo vesgo olhar de que isto gera corrida aos gastos e à inflação. E assim dificultam o acesso ao crédito pela fórmula do juro alto e da concentração de dinheiro em mãos do Tesouro e de alguns poucos, em prejuízo das bases produtoras e do meio circulante. Também uma certa mentalidade, de parte dos cidadãos, faz coro com a idéia de que consumismo é um mal, e que se todos passam a comprar, os produtos sobem de preço e passam a escassear no mercado, por oportunismo do comerciante ou por insuficiência de produção. Tal ocorre, mas se houver uma prática constante de consumo esse sistema será vencido pela exaustão, porque chegará o momento em que a sabedoria prevalecerá. Há uma incoerência entre o otimismo dos meses pródigos de fim de ano, quando o consumo se intensifica, e o receio de inflação. O consumo é o alimentador da produção, gera arrecadação de impostos, sustenta a economia e produz mais riquezes. Naturalmente que o indivíduo não pode gastar além daquilo que ganha, ou cairá na inadimplência. É do consumismo metódico, porém intenso, que se fala. Se o comerciante retém mercadorias, em caso de aumento da demanda, para vendê-la mais cara na escassez, então comete um crime contra a economia e contra si próprio, e converte-se num agente nocivo à política desenvolvimentista e à própria cidadania. É um mau patriota, que perde toda a moral para lamuriar-se mais tarde ante crises econômicas que venham a ocorrer. Se, assim como fazem os bancos e demais instituições financeiras, o comerciante cobra juros abusivos nas vendas a crédito, passa a ser, aí sim, um agente inflacionário e de empobrecimento da freguesia, que no caso brasileiro constitui-se na grande maioria de cidadãos de classes média e baixa, portanto de ganho escasso. Com critérios mais inteligentes, de lucratividade sem ganância, as vendas poderiam ser regulares o ano inteiro, e assim todos os meses seriam férteis em negócios. Há um desajuste de mentalidade quanto à política de consumo. Tentar diminuí-lo, como faz o Governo com sua política concentradora de renda e contencionista do crédito e como fazem, sem se darem conta disso, os segmentos que sobrecarregam a margem de lucro e por isso vendem pouco significa implantar a recessão, parceira íntima do subdesenvolvimento. Se é certo que, em dezembro, os trabalhadores recebem o 13º salário e que essa soma adicional possibilita um gasto extra, tal dá ensejo à reflexão de que bons salários o ano todo, aos trabalhadores, proporcionariam o mesmo efeito multiplicador que ocorre nos finais de ano, tão aguardados por comércio, indústria, serviços, pessoal de trabalho temporário e pela própria receita pública.





