A descentralização de serviços da Prefeitura de Londrina, ora aprovada pela Câmara de Vereadores, é uma medida acertada, mas será preciso que isto funcione também com algum poder, que não seja apenas a arrecadação de impostos. Também não pode converter-se em cabide de empregos e nem ter estrutura muito onerosa. Descentralizar significa tirar parcelas do centro, então os funcionários e equipamentos que serão desativados na sede central deverão ser utilizados nesses postos. O sistema estabelece a implantação de unidades em cinco regiões da cidade e também em distritos. No último caso, não se sabe se há tal necessidade, tratando-se de pequenas localidades, onde já existem as subprefeituras. Se 200 mil contribuintes e consultantes circulam anualmente pelo prédio do Poder Executivo, faz-se necessária a subdivisão, porque esses postos – segundo o projeto aprovado – receberão impostos e prestarão serviços de protocolo, informações etc. Mas, acima de tudo, será necessário que sejam também sentinelas de ouvidoria e vigilância sobre as necessidades da área de entorno – uma tarefa que deveria ser dos vereadores, mas é sabido que eles não a executam a contento. Só a região dos Cinco Conjuntos, que supera em tamanho e estrutura a grande maioria das cidades paranaenses, mereceria mais que um posto, mas uma miniprefeitura. E não apenas o Executivo deveria estar mais presente nessas áreas, mas subdivisões dos demais Poderes. Esta seria uma forma de amenizar a sobrecarga central, melhorando o atendimento ao público, gerando-lhe economia de tempo e dinheiro e abrandando o transporte coletivo e o fluxo de veículos no geral. Agora que o projeto de descentralização foi aprovado, será preciso dar forma inteligente ao sistema, para que atue também em setores como o das misérias suburbanas, fornecendo indicativos de solução, abrangendo também o sistema viário e a melhoria dos atendimentos de sáude, educação e segurança. A idéia é inovadora, mas há que dar a esses postos alguma autonomia, para que não sejam apenas bancas arrecadadoras de IPTU e taxas de serviços. A cidade já ganhou grande dimensão, figurando entre as 25 maiores do País num universo (em números redondos) de 5.600 cidades-sede de municípios, e essa evolução exige o acompanhamento pari-passu do poder público. Nessa corrida o crescimento da infra-estrutura civil superou a ação das instituições públicas, que não caminharam no mesmo ritmo, por imprevidência. No geral, um mal brasileiro. Os vereadores que aprovaram a inovação não podem, agora, imaginar que sua missão encerrou-se. Será preciso que continuem o trabalho, contribuindo com a parte que lhes cabe em dar forma e consistência a essas ‘‘representatividades’’ do comando público municipal, de modo a que tenham também alguma atuação político-administrativa.

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