A coleta seletiva de lixo em Londrina voltou a ser discutida nos últimos dias. Depois de receber prêmios nacionais e de contar com ampla participação da população, o serviço foi praticamente desmontado na administração municipal anterior. Alvo de denúncias de corrupção em contratos com empresas prestadoras e coleta falha, o programa caiu em descrédito. O resultado é que praticamente todo o trabalho que havia sido desenvolvido foi perdido.
Outro fator relevante é que o serviço proporciona a inclusão social, uma vez que beneficia trabalhadores de baixa renda, em muitos casos pessoas sem capacitação profissional. No entanto, as cooperativas de catadores têm registrado uma queda no material recolhido. Para tentar reverter esse panorama, a Cooperativa de Catadores de Materiais Reciclável e Resíduos da Região Metropolitana de Londrina iniciou uma campanha para incentivar moradores a fazer a coleta seletiva do lixo. Nos últimos dois meses houve uma queda de 30% no volume comercializado por essa cooperativa.
De modo geral, a coleta seletiva no Brasil ainda é bastante falha. Dados do Ministério do Meio Ambiente mostram que esse serviço só é executado em 443 cidades brasileiras (8% do total). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o serviço não cobre mais que 18% da população das cidades onde é desenvolvido. Com custos mais altos, muitas prefeituras acabam postergando a implantação do programa.
No entanto, é preciso investir em campanhas que alertem para a importância da coleta seletiva e da reciclagem. Além de atentar para uma mudança de comportamento em relação à separação de resíduos, devem ser ressaltados os benefícios ambientais, sociais e econômicos do reaproveitamento de resíduos sólidos. A separação do lixo é um caminho sem volta e que, portanto, deve ser incentivada. A questão ambiental é urgente, não apenas por uma questão legal, mas devido à preservação do planeta.

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