Impeachment sim!
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quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Ludinei Picelli 
Em seu artigo "Impeachment não!" (Espaço Aberto, 22/11), o padre Manuel Joaquim descreve o quadro caótico que vive o País, todavia descarta definitivamente o impeachment da presidente reeleita Dilma Rousseff. Plagia o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, insinuando o terceiro turno nas eleições. Deu a entender que a presidente e o seu antecessor Lula podem gozar do privilégio da dúvida e do desconhecimento das falcatruas, o famoso "eu não sabia". Ele também sugeriu que Dilma, ao reassumir a Presidência, deveria demitir todos os envolvidos em corrupção ou se declare inapta para o cargo. Critica ainda o fato de Dilma se intitular a maior promotora das investigações de corrupção no governo.
Ora, falar em terceiro turno eleitoral é pretender desqualificar o excelente trabalho investigativo do Ministério Público e da Polícia Federal e minimizar a repercussão negativa do envolvimento dos petistas e aliados nos megaescândalos de corrupção, além tentar amordaçar a oposição no Congresso Nacional. Convenhamos, para quem, como Dilma, elogiou e agradeceu dirigentes partidários e aliados, comprovadamente corruptos, pelo apoio à sua vitória nas urnas e, três dias após reeleita, tomou medidas econômicas contrariando tudo o que havia prometido na campanha, nem uma e nem outra coisa vai acontecer. Ela não tem força política para demitir corruptos e, pelo vale tudo para permanecer no poder, não vai renunciar. Dar o benefício da dúvida do "eu não sabia" para Dilma e Lula não é irrelevante e já transbordou todos os limites da tolerância e da decência. É não querer enxergar o óbvio. E se autopromover como a "dona da investigação" é a marca registrada dos governos petistas: propaganda enganosa.
Não devemos descartar a hipótese do impeachment da presidente Dilma, mormente se a sua campanha eleitoral estiver contaminada com o dinheiro sujo do escândalo da Petrobras. Afinal, o Brasil já está parado há alguns anos. A escalada da corrupção, o aumento da criminalidade, a inflação fora do controle, a queda acentuada do setor produtivo, a redução conceitual do País em todos os rankings mundiais (IDH, educação, risco de negócios, etc.) mostram uma gestão temerária.
O País não vai suportar mais quatro anos de centralização teimosa e excessiva de poder, além de gestões desonestas nas empresas públicas e nos ministérios loteados entre aliados sedentos por dinheiro público. Da mesma forma que uma empresa substitui o gerente inepto, que permite a desonestidade dos subordinados, temos o dever de mudar a autoridade desidiosa. Como confiar num governante que disse "que ia fazer o diabo para ganhar a eleição" e mentiu descaradamente sobre os seus opositores?
É preciso sacudir esse País com atitudes firmes que possam despertar na população a necessidade de escolher melhor seus dirigentes. E a cassação de um mandato, quando justo e bem fundamentado, produz resultados positivos. Já tivemos prova disso na saída de Collor. É necessário e urgente alternar o poder. É preciso mostrar aos corruptos que não toleramos mais tanta bandalheira. E se o substituto não agir corretamente, impeachment nele também.
A cassação de mandato de dois prefeitos em Londrina é outro bom exemplo. Vamos cassar até acertar. Se por ocasião da descoberta do mensalão tivesse ocorrido o impeachment de Lula, com certeza a quadrilha que já estava instalada na Petrobras não teria prosperado tanto nas suas maracutaias, ao ponto de provocar a maior desvalorização patrimonial da sua história e atrair a necessidade de auditorias internacionais, manchando nosso orgulho de brasilidade e envergonhando os brasileiros.
Democracia é assim: da mesma forma que não queremos uma ditadura militar, também não podemos aceitar um projeto que visa a perpetuação no poder, sustentado por uma ditadura da corrupção.
LUDINEI PICELLI - é administrador de empresas em Londrina
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