Impeachment de Renan
A opinião pública voltou a se manifestar contrariamente à eleição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Nesta semana, representantes de movimentos anticorrupção entregaram àquela Casa um documento com mais de 1,6 milhão de assinaturas que pedem o impeachment do presidente eleito. Um pedido justo e coerente, mas para um País ainda imaturo politicamente. Ao contrário, Calheiros sequer teria sido eleito novamente senador.
O atual presidente já dirigiu a Casa e foi obrigado a renunciar ao cargo em 2007 para evitar sua cassação. Na época, ele foi acusado de ter contas particulares pagas (pensão alimentícia da filha) por um lobista e de usar "laranjas" para ocultar patrimônio. Agora, mais denúncias vieram à tona: de que teria usado parte de sua cota parlamentar para beneficiar uma empresa que pertence ao marido de uma assessora de seu gabinete. Nos dois casos, obviamente o senador nega as acusações.
A sociedade civil já fora ignorada anteriormente pelos senadores. Antes da eleição de Calheiros, um protesto digital com cerca de 320 mil "assinaturas" pedia que ele não fosse eleito. Escondidos sob o manto do voto secreto, o alagoano levou a presidência da Casa com 56 votos, inclusive com as bênçãos do PT, o partido da presidente Dilma Rousseff e que governa o País há mais de dez anos. No mínimo, deve-se exigir que as regras do Congresso sejam modificadas e que o voto secreto seja abolido - assunto para a urgente reforma eleitoral que adormece no Congresso. Os eleitores têm o direito de acompanhar as atividades de seus parlamentares.
Além disso, espera-se uma sensibilidade maior dos congressistas ao acatar os pedidos da população. Certamente, há interesses na eleição de Calheiros, mas em todos os casos os interesses e anseios da população deveriam ser considerados e atendidos.





