A demora do Supremo Tribunal Federal em julgar o caso da eleição em Londrina está no mínimo atrasando os projetos de obras que o novo prefeito já estaria realizando, assim como a formação do secretariado. Porque a eleição do prefeito agora sob julgamento e os dois candidatos para uma possível nova eleição não cogitam de tais projetos diante desta situação de incerteza. Nem se forma a equipe de transição, importante no processo, e nem dos auxiliares diretos do novo comando executivo.
O que não deveria ser assim, mas vigora, é que o prefeito que vier a administrar o município não pode acionar os representantes partidários nas casas legislativas, ou seja, já ir exercendo governo e preparando o terreno. Não deveria ser assim, porque é obrigação das bancadas, de qualquer linha partidária, pensar Londrina (assim como todas as comunas) mesmo que um novo prefeito não esteja definido.
Se a comunidade - conforme opiniões manifestadas ontem neste Jornal - não exerceu com mais energia a pressão sobre os tribunais para decidir logo a questão (já que eles não o fizeram em tempo hábil, antes mesmo do 1º turno), a verdade é que os veículos de comunicação se mobilizaram e inclusive uma comissão de lideranças foi a Brasília e solicitou pessoalmente às autoridades superiores da Justiça uma urgência no exame do caso. Se o Tribunal Superior Eleitoral não vetou antes o candidato envolvido em denúncias - que viria a ser eleito, gerando depois o episódio da abruta impugnação - é lícito avaliar a versão do senador Alvaro Dias de que a atitude de agora do STF é de prudência. Sob esse prisma, o que se qualificou de descaso anterior, agora seria justamente uma consideração das cortes à importância do município, por isso essa suposta cautela. Porque uma não-avaliação anterior sob a relevância da questão viria a resultar na automática liberação dos eleitores para votar, e eles o fizeram, elegendo por maioria um candidato que, inesperadamente, dois dias depois a mesma Justiça viria a impugnar. Duas atitudes judiciais incomuns, cujas consequências aí estão.
Imagina-se que o próprio STF deve estar confuso, conforme as palavras do senador Osmar Dias de que ''talvez nem o próprio Tribunal esteja certo da decisão que vai tomar''.

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