Impasse pela alta da tarifa de ônibus urbanos
Cheios de razão, os usuários do transporte coletivo em Londrina ficam indignados com duas coisas que acabam de acontecer. Primeiro, a aprovação, no apagar das luzes da última administração municipal, do aumento da tarifa dos ônibus urbanos de R$ 2 para R$ 2,25 (R$ 2,12 para pagamento com cartão), e agora a ordem judicial impondo a cobrança dentro de cinco dias, isto após haver sido concedida liminar a pedido de um vereador para a não-concessão do reajuste.
Está criado um impasse, porque o prefeito interino reluta em autorizar a majoração. Um grupo de sete vereadores acaba de protocolar pedido de instalação de uma Comissão Especial de Investigação para apurar eventual irregularidade na planilha do transporte urbano. O pedido tem que passar pela Assessoria Jurídica da Câmara e, para ser aprovado dependerá de pelo menos dez votos dos atuais 19 vereadores.
O novo corpo legislativo, ao menos pela decisão desse grupo, está desejando aclarar as coisas e conhecer em a planilha. O sindicato das empresas do transporte coletivo alega que já se passam 35 meses sem reajuste da tarifa. Questionamentos sobre a planilha existem desde que o transporte coletivo existe em Londrina, e se a consequência imediata que toca no bolso do usuário é o aumento da passagem, a planilha é sempre o ponto de discussão, pela sua complexidade. Porque os itens que servem de base para os pedidos de reajuste são diversos, como o investimento na frota, a reposição de veículos, peças e acessórios, combustível, pessoal, encargos e outros custos, e não há precisão de quanto cada um deles incide no custo final do sistema. Por exemplo, se o óleo diesel sobe R$ 0,10, não significa que a passagem também deva subir R$ 0,10 e sim o correspondente ao porcentual que esse item representa no gasto operacional, e assim por diante. É um trabalho que uma comissão de investigação da Câmara não resolve sozinha mas necessitará de peritos.
O aumento da tarifa não poderia ter sido aprovado quando faltava apenas uma semana para encerrar-se o mandato. Já que a questão, sabidamente, iria gerar polêmica, deveria ter sido examinada bem antes ou deixada para o novo prefeito. E por conta disso rolam as inevitáveis suposições na boca do povo, que é livre para imaginar e não tem sanção.





