IML tem de fazer milagre
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segunda-feira, 16 de abril de 2007
Célia Polesel<br>Reportagem Local 
Há 15 anos não há concurso para o Instituto Médico-Legal (IML). Hoje, dos 33 funcionários 30% não são concursados. Os três motoristas, responsáveis pela remoção dos corpos, são terceirizados ou comissionados e trabalham em escala de 24 por 48 horas. Segundo o chefe do IML, Gabriel Fernandes Neto, o ideal seria o dobro. O que pode resolver o problema é o concurso público. ''Concurso para médicos, motoristas e administrativo. No caso dos motoristas, por exemplo, o ideal seria ter duas equipes todo dia, uma para atender Londrina outra para a região.''
Quais as principais dificuldades enfrentadas pelo IML?
A falta de pessoal. Temos somente cinco médicos-legistas para atender 90 cidades, cerca de 1 milhão de habitantes, durante 24 horas. A gente tem de fazer milagre.
Que número seria suficiente para atender a demanda?
Precisaríamos de, no mínimo, 15 médicos concursados. Hoje, temos apenas cinco: eu estou na chefia, um faz só lesões comporais, o outro é psiquiatra. Na realidade, somente dois fazem as necropsias. Isso acaba atrasando e dificultando a montagem dos laudos, e sobrecarrega os médicos.
Existe uma dificuldade para fazer a remoção dos corpos?
Não. O que pode acontecer é um atraso, porque temos apenas uma equipe de plantão. Mas, na realidade, trabalhamos com a sorte. Uma vez a equipe teve que se deslocar para Primeiro de Maio por causa de um carbonizado. Eles ficaram em torno de três horas lá e em Londrina não ficou ninguém.
Quantas cidades o IML atende?
Depende do departamento. O de necropsia e de ambulatório atende mais de 70 cidades; o de drogas e toxicologia atende um número maior, porque só tem o nosso laboratório e o de Curitiba para fazer exame. Nosso departamento de psiquiatria é o único no interior, com um psiquiatra e uma psicóloga. Na necropsia atendemos uma região de mais de um milhão de habitantes.
Qual a diferença entre um concursado e um comissionado?
O profissional concursado tem melhor gabarito, passa pela escola de polícia. O comissionado tem apenas um treinamento interno e ganha um terço do que ganha um estatutário na mesma função. Isso cria um problema administrativo, precisamos dar a eles carga menor de trabalho, sobrecarregando os demais.
Como atender 90 cidades com três motoristas?
Atendemos basicamente Londrina e Ibiporã. Para as outras, fizemos um acordo para que o delegado faça a remoção pelo agente funerário. Para nós é melhor porque de qualquer forma o agente funerário tem que vir buscar o corpo. Mas se o delegado tiver algum problema, a gente vai. Hoje o delegado está suprindo a falta de funcionários do IML.
Faltam equipamentos?
Precisamos de internet, equipamento de raio-x, o que temos é muito antigo, não funciona, um cromatógrafo instalado e funcionando, e viaturas para remoção de corpos - as nossas já têm mais de dez anos de uso. Os peritos precisam muito do raio-x para localização de projétil. Como não temos, pedimos ao Hospital Universitário. Aí esperamos a brecha para mandar o corpo lá para ser radiografado. Com o raio-X resolveríamos 70% dos problemas na necropsia. O cromatógrafo faz a dosagem alcóolica e de drogas, que são importantes para a instrução penal. As amostras hoje são encaminhadas para Curitiba.
Há perspectiva de melhora?
A informação que nós temos é que vão ser abertas 14 vagas para o Paraná todo, no caso de médico-legista, e precisamos de 15 apenas em Londrina. Nossa briga é pelo concurso regionalizado. Tivemos reuniões com alguns deputados pedindo que falem com o executivo para que abra logo o concurso e que seja regionalizado.


