IMIN 100 - Festa japonesa para brasileiro ver
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sábado, 19 de janeiro de 2008
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Bem diferente da seriedade característica nipônica, as comemorações do centenário da Imigração Japonesa ao Brasil serão marcadas pela alegria. É o que espera a organização do Imin 100 no Paraná, coordenada pelo deputado estadual Luiz Nishimori. ''Será uma festa para todas as etnias''.
E a largada acontecerá em alto estilo e de um jeito bem brasileiro: no próximo dia 3, a escola de samba Porto da Pedra vai homenagear os imigrantes na Marquês de Sapucaí, no RJ. E, claro, haverá uma ala especial para os nikkeis.
Os preparativos foram iniciados há dois anos e as principais solenidades estão previstas para 18 a 22 de junho. Já está confirmada a vinda de pelo menos um representante da família imperial, o príncipe Naruhito.
Qual a importância do evento?
Ele oferece grandes oportunidades. A primeira é nossa comunidade divulgar a contribuição dos imigrantes à nação brasileira. E, por outro lado, agradecer ao Brasil que tão bem acolheu nossos imigrantes. Também há oportunidade de negócios, de aquecer o comércio bilateral Brasil-Japão. Tenho certeza que, com esse centenário, vamos estreitar muito mais a relação comercial entre os dois países. Diria que o Imin 100 é uma festa de grande integração, não só da comunidade japonesa, mas de todas as etnias que aqui chegaram e que hoje formam a sociedade brasileira.
Como estão os preparativos?
Começamos os prepararativos há dois anos. No Paraná, o festejo maior será no dia 22 de junho, com a presença do príncipe herdeiro, Naruhito. Estamos pedindo que a princesa venha também, mas ela está adoentada. O príncipe estará no dia 22 de junho em Rolândia.
A escolha de Rolândia é estratégica?
Em Rolândia temos a sede da liga e da aliança cultural, temos o centro de imigração e o museu. Foi também onde comemoramos os 70, 80 e 90 anos da imigração. É onde recebemos a família imperial. O atual imperador, quando era príncipe, esteve nesse festejo. É tradição. Na festa do Imin 90, recebemos 35 mil pessoas. Agora, esperamos 50 mil.
Como estão as relações comerciais entre o Brasil e Japão?
Até a década de 1970, houve muitos negócios. Depois, os japoneses se afastaram por causa da inflação. O empresário japonês não conseguiu acompanhar a inflação brasileira e deixou de investir. Nos anos 1980 e 1990 houve uma recessão no Japão e deu uma esfriada. Mas, do ano passado para cá, começou a reaquecer. E mais uma oportunidade será por meio dos 100 anos. Muitos empresários japoneses virão aqui e verão que o Brasil está em pleno desenvolvimento e que temos muito a oferecer. O governo japonês tem grande interesse em comprar o álcool, mas não temos estoque suficiente para abastecer aquele mercado. Em termos de alimentos, 80% do frango consumido no Japão e 60% do suco de laranja são brasileiros.
Nesses 100 anos, mudou muito o perfil da comunidade...
Os imigrantes, recém-chegados, sofreram muito com a língua, costumes, comida, e ficaram mais fechados. No decorrer do tempo, passaram a conviver com outras etnias. A comunidade fez uma grande amizade com todos, integrou-se bem, e mudou bastante porque acabou aderindo à cultura ocidental. A soma das duas culturas, oriental e ocidental, só dá alegria.
A comunidade perdeu suas características originais...
Hoje, em muitos municípios ainda há associações que preservam e transmitem essa cultura, essa tradição. É lógico que boa parte dos nikkeis hoje é bem brasileira mesmo. Acho que foi muito boa a mistura.
Nos últimos 25 anos, o que se pode observar é o inverso, o fenômeno dekassegui. Como avalia essa questão?
Avalio que na questão econômica é fantástico. Os dekasseguis enviam hoje quase US$ 2,5 bi por ano, cerca de R$ 5 bi. Isso equivale à exportação de soja brasileira. Mas por outro lado, há grandes dificuldades. Os filhos dos dekasseguis no Japão não conseguem estudar, não acompanham o estudo. Um terço dos filhos dos dekasseguis não está estudando.
Mas têm aqueles que voltaram ao Japão definitivamente...
Muitos não são mais dekasseguis. Alguns estão no Japão há 10 anos, fixaram residência. Dekasseguis são aqueles que viajam temporariamente para trabalhar e depois retornam. Tivemos cerca de 270 mil imigrantes japoneses no Brasil. Hoje, temos mais de 300 mil nipobrasileiros no Japão.
A festa vai começar mesmo de um jeito bem brasileiro...
Fomos convidados pela Porto de Pedra a participar do Carnaval carioca, dia 3 de fevereiro, às 22h. A escola está homenageando os 100 anos da imigração. É uma grande oportunidade de integrar a cultura japonesa à cultura brasileira do Carnaval.


