Imagem falsificada
O governo Lula tem afirmado que se valeu dos bancos oficiais, na emulação com os privados, para fazer baixar os juros. Político é sempre assim: tenta fazer de uma declaração de intenções um compromisso real.
Hoje, por exemplo, há entusiasmo demais com a mobilidade social que teria feito das classes C e D as dominantes, tendo a primeira delas superado a B em termos de presença no mercado, o que deslumbra especialistas em projeções mercadológicas. Só não para a esquerda, em função disso, dizer que combate classes dominantes, uma vez que estas seriam a dos excluídos do passado recente e lembradas como vítimas da concentração capitalista.
Voltemos, porém, a questão dos bancos oficiais. Estariam eles a serviço dessa nova e auspiciosa realidade mantendo a competição com a rede privada, olhada quase sempre pela classe política e de uma forma constante, como demonizada e praticante da usura social, a agiotagem.
Dias passados nos ocupamos da denúncia de que havia concentração de empréstimos no BNDES (28% do crédito) em favor de um grupo mínimo de empresas e agora analistas voltam a observar que os dois maiores bancos federais destinam cerca de 10% dos empréstimos para dez empresas: a Caixa Econômica direcionaria 4% de todos os seus recursos para uma única empresa, a Petrobras.
Antes da crise de 2008 o principal devedor do banco ficava com menos de 1%, patamar de hoje nos grandes bancos privados. Já o Banco do Brasil, mesmo antes da crise, teria uma alta concentração de recursos em uma única empresa, dívida de quase R$ 10 bilhões, cerca de 10% da carteira total e os dez maiores chegam a quase R$ 30 bilhões, o dobro dos maiores bancos privados.
A distância entre discurso e a prática é a mesma entre teoria e prática.





