Ilicitudes e eleições
O Ministério Público Federal anunciou ontem a criação de uma força-tarefa para acompanhar as investigações da Polícia Federal desencadeadas pela Operação Lava Jato. O caso foi levado a conhecimento público no mês passado após a prisão de várias pessoas, entre elas o doleiro londrinense Alberto Youssef, acusadas de lavagem de dinheiro e de movimentar cerca de R$ 10 bilhões.
Youssef é "velho conhecido" das autoridades: foi envolvido no esquema AMA-Comurb (um dos maiores escândalos de corrupção registrados em Londrina), em 1999; foi acusado de participação na fraude contra a Copel e o governo do Paraná; e de ter participado de um esquema de lavagem de dinheiro do Banestado. Ganhou o benefício da delação premiada e, por isso, continuava em liberdade. Agora, mensagens interceptadas pela Polícia Federal comprovam ligação entre os londrinenses Youssef e o deputado licenciado André Vargas (PT), vice-presidente da Câmara dos Deputados. Além de Vargas, outros políticos estariam envolvidos com o doleiro.
O esquema tornado público escancara as práticas ilícitas envolvendo políticos brasileiros. Troca de favores, fraudes maquinadas para desviar dinheiro público, indicações de "apadrinhados" são atividades constantes. Parece não haver mais qualquer ética ou pudor. E, por isso, o trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público tem que ser valorizado. É importante que a sociedade exija o aparelhamento dos órgãos de investigação. Os políticos não podem continuar a agir como se estivessem "acima do bem e do mal", como se não tivessem que obedecer à legislação.
Importante salientar que o ano é de eleições e, talvez, por esse fator ocorra alguma punição para que o resultado final do pleito não seja comprometido, como afirmou ontem o ex-presidente Lula. No entanto, a sociedade não pode continuar a assistir passivamente o acontecimento de todas essas irregularidades. É preciso uma participação maior. Que a indignação individual, seja transformada em coletiva e que resulte em efeitos práticos.





