Picuinhas políticas à parte, cujo mérito não pretendo aqui discutir, a instalação de grandes empresas multinacionais em nosso Estado produz inegáveis benefícios, dos quais um dos mais importantes deriva da geração de empregos - e o mesmo vale para empresas nacionais de grande porte sediadas no Paraná. Caberia, no entanto, perguntar por que a geração de empregos, diretos e indiretos, no âmbito dessas empresas, não é tão amplo como poderia ser, uma vez que possuímos mão-de-obra capacitada para atender aos mais diversos setores, sem a necessidade de contratá-la em outros estados. Vejamos, a título de exemplo, as agências de publicidade.
Não constitui novidade para aqueles que atuam nesse meio o fato de que o Paraná possui profissionais de publicidade altamente qualificados e agências cuja excelência tem sido reconhecida através de premiações não apenas nacionais, mas também internacionais. Não obstante, onde estão as contas publicitárias das grandes empresas sediadas em Curitiba? Eis alguns casos: o HSBC contratou a Talent, o Boticário e a Nutrilatina, a W. Brasil; a Eletrolux, a McCann Erickson Brasil/Universal; a New Holland, a Lápis Raro. Esta última agência é de Belo Horizonte; todas as demais são de São Paulo. E a Chrysler? A Renault? Desde já, respondem por sua publicidade, respectivamente, a Bozzel e a Lintas/MPM - ambas da capital paulista.
Obviamente, qualquer empresa tem o direito de confiar a sua publicidade à agência que quiser, não importa de que parte do país ou mesmo do exterior. Porém, não recorrer aos serviços de agências paranaenses constitui um mau negócio, e isso por várias razões: se o centro decisório nacional dessas empresas está no Paraná - no caso das que foram citadas acima, em Curitiba -, o contato com uma agência de publicidade local será necessariamente mais estreito e o intercâmbio com o cliente mais frequente e produtivo. Curitiba possui recursos para produzir qualquer campanha nacional com a mesma qualidade técnica e criativa oferecidas no eixo São Paulo-Rio. Apesar da qualidade dos seus serviços igualar-se à de quaisquer outros centros, os custos de mão-de-obra em publicidade são, no Paraná, mais baratos. Além destes fatores, vale lembrar que toda grande empresa, seja nacional ou estrangeira, tem um papel social a cumprir, e isso pressupõe necessariamente o estabelecimento de vínculos junto à comunidade onde se acha instalada.
Não pretendo advogar uma reserva de mercado para as agências de publicidade paranaenses, ou sugerir, quando da instalação de uma empresa multinacional em nosso Estado, se acrescente uma cláusula obrigando-a a contratar os serviços das agências locais, e sim conclamar os grandes empresários - e, em especial, os diretores das áreas de marketing e afins - a que procurem conhecer mais de perto o que os criativos publicitários paranaenses podem fazer por suas empresas e o quanto para elas os seus serviços podem ser vantajosos e eficientes em termos de resultados. Enfim, já é tempo de reconhecer que o adágio popular ‘‘santo de casa não faz milagre’’ deixou de ser realidade, se é que o foi alguma vez. Tempo também de os publicitários paranaenses se unirem em torno de um direito que lhes cabe: o de assegurar um espaço que merece ser tão amplo quanto amplos são o seu talento e a sua competência. Portanto, é questão que a classe, como um todo, deve debater, objetivamente e em profundidade, e buscar a criação de estratégias mais adequadas, mesmo porque hoje Curitiba é uma cidade-chave do Mercosul e há muito o Paraná deixou de ser província de São Paulo.

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