Igualdade entre brancos e negros
Reduzir as diferenças sociais e econômicas entre brancos e negros ainda é um desafio a ser superado no Brasil. Nos últimos anos, a implementação de políticas públicas - adotadas em vários níveis de governo - têm surtido algum efeito, uma vez que indicadores socioeconômicos mostram uma efetiva melhora nas condições de vida da população negra. Segundo informações do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os negros tiveram sua renda, expectativa de vida e acesso à educação avançarem de forma mais acelerada do que as da população branca.
Em 2010, o censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que pela primeira vez na história a população brasileira deixou de ser predominantemente branca. Em 2000, o índice era de 53,74%, enquanto há dois anos o percentual caiu para 47,73%. A população negra aumentou em 4 milhões, atingindo 14.517.961 pessoas. No entanto, apesar dos avanços registrados pelo Ipea, o mesmo não ocorreu com os rendimentos declarados e na alfabetização. Conforme o levantamento, brancos apresentaram renda média mensal de R$ 1.538, semelhante a amarelos, que declararam R$ 1.574. Os valores são quase o dobro do atingido pelo grupo de pretos (R$ 834) e pardos (R$ 845). Também houve uma redução das taxas de analfabetismo no País para todas as raças, mas persistem as diferenças. O percentual de analfabetos é quase três vezes maior tanto entre os negros e pardos do que entre os brancos (5,9%).
Esses indicadores mostram que o combate às desigualdades sociais é um caminho longo. É preciso apostar em políticas de ação afirmativa de forma consistente que reduzam as desigualdades e combatam o preconceito. Os chamados programas universais, como o Bolsa Família e o Programa Universidade para Todos (ProUni), têm surtido algum efeito, mas ainda não resolvem o problema. Por enquanto, uma das únicas mudanças favoráveis é o estabelecimento de cotas para negros nas universidades públicas. Em 17 anos a taxa líquida de matrícula de jovens de 18 a 24 anos mais que quintuplicou entre os negros. Em 1992, apenas 1,5% dos jovens negros nesta faixa etária estavam na universidade. Em 2009, o índice era de 8,3% que, embora baixo, revela um expressivo crescimento.
O combate ao preconceito se faz com ações e pequenos gestos diários. Ainda é preciso avançar, mas a sociedade brasileira não pode continuar mais compactuando com iniciativas que não promovam a igualdade entre as pessoas.





