A inauguração do Lago Igapó em 1959 transformou o perfil imobiliário de Londrina. O corretor José Carlos Delalíbera lembra que até a década de 50, onde hoje está o Lago, corria apenas um filete de água que demarcava o limite da zona urbana. ‘‘Havia barro e poeira vermelhos e um curtume que deixava no ar um fétido odor, que tornava desagradável andar por aqueles lados’’, lembra ele, acrescentando que os moradores da região chegavam ao centro da cidade com um colorido avermelhado nas roupas e calçados.
‘‘O prefeito Antonio Fernandes Sobrinho e sua equipe souberam urbanizar e mudar o perfil daquela região, no que foram muito felizes’’, comenta o corretor.
Hoje, os imóveis da região do Lago I são os mais caros da cidade e a tendência natural é que as margens dos lagos II, III e IV se valorizem ao longo dos anos, conforme a realização de obras de infra-estrutura e de preservação do meio ambiente.
O metro quadrado dos terrenos que margeiam o Igapó I, onde o zoneamento permite a construção de prédios, é avaliado em R$ 400,00, segundo o diretor de vendas da Abílio Medeiros Imóveis, José de Lima Castro Neto. No lado oposto, onde estão localizadas chácaras, o metro quadrado está avaliado em R$ 300,00, diz Neto. ‘‘O lago é o cartão postal de Londrina’’, justifica.
Segundo ele, a valorização das áreas que margeiam o Igapó I puxa para cima, naturalmente, os preços dos terrenos às margens dos demais lagos. Mas, ressalta, é preciso ter um trabalho de preservação da região. No lago II, o metro quadrado do terreno está avaliado em R$ 150,00, mesmo valor do metro quadrado na Gleba Palhano, localizada entre o lago II e a Avenida Madre Leônia Milito.
Neto observa que os imóveis localizados às margens dos demais lagos são, atualmente, menos valorizados. Um dos fatores é o padrão. O preço final das áreas também reflete a metragem menor desses terrenos, quase sempre em torno de 250 metros quadrados. Delalíbera, imobiliarista em Londrina há 27 anos, informa que os terrenos às margens dos lagos III e IV estão avaliados em cerca de R$ 40,00 o metro quadrado.
A tendência, no entanto, é que num futuro próximo haja um ‘‘boom’’ de valorização daquela região, a exemplo do que ocorreu com os terrenos das margens do lago I e, mais recentemente, do II. A avaliação é de Fernando Fabian, diretor da Plaenge, construtora que investe na região.
‘‘Inicialmente, houve a valorização do lago I, que era mais urbanizado. Depois, com a mobilização dos moradores da região do lago II e construção das calçadas que o margeiam, houve um aumento dos valores dos imóveis naquela região. Com o projeto de urbanização existente, os imóveis continuarão sendo valorizados. Nós enxergamos o Igapó II como um diamante que está sendo lapidado’’, comenta Fabian. Só nessa região, diz ele, os terrenos já se valorizaram três vezes nos últimos anos.
Ele prevê que em cinco ou 10 anos o mesmo ocorrerá com os lagos III e IV. ‘‘Hoje é a vez do Lago II’’, ressalta. Além da existência do lago, que proporciona mais integração com a natureza e melhor qualidade de vida, Fabian relaciona outro fator que favorece a valorização do local. ‘‘Aquela era uma região de chácaras. A cidade cresceu e envolveu a região, que hoje foi loteada e é uma das poucas áreas de Londrina com terrenos grandes, com 5 mil metros, onde se pode construir prédios valorizando o lazer.’’

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